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Literatura de cordel

Uma pequena coleção

por Lourenço Proença de Moura, em 22.10.21

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Gravura do livro "Matrícidio sem exemplo" de Camilo Castelo Branco

“Lá na vila piscatória em que passei a infância, em cada segunda-feira a pacatez levava sumiço à conta de uma feira…

… havia um velhote que nunca faltava, a um par de metros de uma taberna onde almoçava frugalmente, e lhe emprestavam duas cadeiras meio desconjuntadas. De uma cadeira à outra ele punha um cordel não muito grosso e dele fazia pender uns cadernos de capas coloridas e umas folhas volantes, que prendia com pregadeiras de roupa. Em cima de uma cadeira havia um jornal dobrado, aonde ele colocava a bota e dedilhava a sua viola, que nem sempre tinha as cordas todas. A voz era roufenha, lamurienta, mas já contávamos com isso porque anunciara antes “um grande e horrível crime”. Toda a gente punha os olhos na folha onde estavam os versos e o retrato da rapariga que levara as dezassete facadas do namorado, que parecia ter sido enganado e afinal o que ele vira fora uma cena inocente da moça agarrada a chorar ao irmão que lhe trouxera a notícia da morte do pai no Brasil! O namorado interpretara mal aquele abraço, não conhecia o irmão, tinha a faca à mão e, levado pelo ciúme, cometera o tal grande e horrível crime! E como se lavava aquele pedaço de chão na feira com as lágrimas do mulherio!”

Esta é uma transcrição de alguns trechos deliciosos do capítulo introdutório de uma obra de José Viale Moutinho [4] dedicada a este tema.

--oo0oo--

Nesta publicação não irei apresentar nenhum estudo sobre o assunto, mas sobretudo colocar à disposição do leitor exemplares digitalizados de livros, brochuras e folhas volantes que ao longo do tempo tenho recolhido, em alfarrabistas e feiras de velharias. Apresento no final algumas sugestões de leitura, visualização (registo videográfico - programa de televisão) e escuta (registo áudio - programa na rádio), mas o leitor encontrará com facilidade outras referências na internete.

A literatura de cordel corresponderá à evolução natural dos romances e contos cantados e relatados pelos jograis e saltimbancos que se deslocavam de terra em terra e que, com a popularização da imprensa encontraram mais esta forma de comunicação e, naturalmente, de rendimento. Como seria de esperar, a qualidade do papel e da impressão era apenas a suficiente para que o custo pudesse ser suportado por uma “pessoa comum”, se bem que nesses tempos paradoxalmente, saber ler fosse uma competência pouco comum. Também não eram destinados a serem guardados em bibliotecas e daí que sejam relativamente escassos os exemplares que sobreviveram.

O nome decorre da forma como eram frequentemente postos à venda, simplesmente pendurados num cordel, pelo vendedor na sua banca de feira como que surge referido no texto introdutório.

Têm frequentemente uma estrutura em verso, o que permitia serem mais facilmente cantados e por vezes teatralizados. Era comum serem vendidos por cantores cegos, saltimbancos, pedintes. Também podiam ser vendidos porta a porta.

Ceguinho_folhetos.jpg

Imagem recolhida do blog "O homem que sabia demasiado"

Os contos com mais sucesso tiveram inúmeras edições e frequentemente eram traduzidos para outras línguas, cruzando séculos e nações.

Em Portugal, este tipo de literatura perdeu relevância de forma acentuada nos últimos 100 anos. Porém, no Brasil, sobretudo no denominado Nordeste, continua a ser uma realidade bem viva e interveniente, com uma grande dinâmica de publicação e de número de leitores. No Brasil, ainda hoje, qualquer assunto pode dar origem a uma ou mais “histórias de cordel”. Como seria de esperar o Covid já teve direito a tal…

Ver por exemplo esta página do blog Diário do Nordeste.

A Covid ceifando muitas vidas
E o perverso zombando da doença
Quando a morte espalha sua sentença
São milhares de histórias destruídas
As famílias enlutadas e perdidas
Sem saber se retornam ou vão em frente
É preciso mais amor por nossa gente
Esse povo sofrido e humilhado
O futuro que tenho projetado
Será muito melhor que meu presente.

--oo0oo--

Versões digitalizadas dos documentos

As tabelas abaixo permitem copiar cada um dos documentos para o seu computador / smartphone.
Para isso, depois de premir o ponteiro, surge uma página do serviço MeoCloud.
Deve selecionar o botão "Download" (descarregar). No caso dos smartphone, surge um ecrã como o seguinte, em que deve selecionar o símbolo de três pequenos traços horizontais assinalados. Surge então a opção "Download".

Telemovel_download_da_Cloud.JPG

Nota: Alguns livros e brochuras possuem uma dimensão relativamente grande e esta ação pode demorar. Indica-se em cada um o tamanho aproximado (Mb)

 

--oo0oo--

No sentido de dar uma breve ideia dos temas e do estilo de relato, deixo aqui alguns exemplos de extratos iniciais de alguns dos contos relatados nas folhas de histórias

Madalena a mártir
Este drama se passou
Conforme contar vos vou
Entre um casal e uma filha
Ela era uma esposa séria
Mas ele da sua féria
Em casa nunca partilha

Triste fim de dois irmãos
Vivia um modesto casal
com dois filhos afinal
Um menino e uma menina
Mas nesse modesto lar
entrou lá dentro o azar
e tiveram uma má sina

Mãe desumana
Custa a crer mas é verdade
Duma mãe a crueldade
Que teve para uma filhinha
Foi uma reles tratante
Que por causa dum amante
Liquidou a inocentinha

Espera traiçoeira
Ainda mal rompia o dia
Já Maria Aurora ia
Levar farinha ao moinho
Certa vez teve o azar
Dum moço ela encontrar
Que lhe saiu ao caminho

Desventura de uma mãe
Foi na encosta de um monte
Sem haver água nem fonte
Que um incêndio sucedeu
Numa casa humilde e pobre
Três mortes lá se descobre
Nada escapou tudo ardeu
...

Triste fim de duas irmãs
Foi numa noite de inverno
O céu perecia o inferno
Vento, chuva e trovoadas
Duas vidas se finaram
Os lobos as devoraram
Deixando roupas e ossadas
...

A perdição do amor
Chamava-se Maria Rosa
Esta jovem tão formosa
A quem José muito amou
Mas teve a infelicidade
de ser morta com crueldade
por Romeu que a desflorou.

Ilusão, só ilusão
Foi bela e foi formosa
aquela Maria Rosa
dos meus tempos de criança.
E dela me enamorei
que com ela me casei
numa ilusão de esperança.

Amor de pai
Perdido de comoção
foi-se entregar à prisão
um pobre pai tresloucado
Para sua cruel sorte
foi ele o autor da morte
dum seu filhinho amado

O caso do Homem que esteve enjaulado 30 anos pela mulher no concelho de S. Pedro do Sul
O caso que eu vou contar
é digno de apreciar
deu-se em Tabuadelo
Um senhor José dos Santos
passou martírios tantos
meus senhores podem vê-lo.

Mãe malvada
Com cinco anos de idade
foi morta sem piedade
por uma mãe sem coração.
Foi por causa de um amante
que era um vil um tratante
vão ouvir qual a razão.
...

 

Os meus livros e brochuras

Títulos

Autor

Tipo

Data

Astucias subtilissimas de Bertoldo, villão de agudo engenho e sagacidade (26Mb)

Não referido, mas foi Giuliu Cesare della Croce (1550 - 1609)

Comédia

1849

Simplicidades de Bertoldinho, filho do sublime, e astuto Bertoldo; E das agudas respostas de Malcolfa sua mãi (30Mb)

Não referido, mas foi Giuliu Cesare della Croce (1550 - 1609)

Comédia

1824

Vida de Cacasseno, filho do simples Bertoldinho, neto do astuto Bertoldo (17Mb)

Não referido, mas foi o abade Adriano Banchieri

Comédia

1824

Vida de Cacasseno, filho do simples Bertoldinho, neto do astuto Bertoldo (12Mb)

Não referido, mas foi o abade Adriano Banchieri

Comédia

1927

Emperatiz Porcina (10Mb) 

Baltazar Dias (atribuído)

Drama

1690

História da imperatriz Porcina mulher de Lodório, imperador de Roma (11Mb)

Baltazar Dias (atribuído)

Drama

sem data; talvez década de 1960

A aldeia de loucos (Novo entremez intitulado…) (5Mb)

Desconhecido

Comédia

1789

A grande desordem de huma velha com hum peralta por não querer casar com ella (Novo e divertido entremez intitulado…) (6Mb)

Desconhecido

Comédia

1786

A velha garrida (Nova pessa intitulada…) (7Mb)

Desconhecido

Comédia

1788

Alcorão das amas de leite ou marmota… (6Mb)

Desconhecido

Comédia

1786

Amor sem pés nem cabeça (Novo, e gracioso entremez intitulado…) (5Mb)

Desconhecido

Comédia

1789

Bondade das mulheres contra a malicia dos homens (3Mb)

L.D.P.G.

Argumentação

Documento  interessante na defesa de género. 

1788

Carta de guia para novatos, vida importante, ou Chimica proveitosa, que hum tratante envia a hum seu amigo para cursar a Universidade de Coimbra com grandeza na codea, e xelpa (6Mb)

Bojamé Bernardino de Albuquerque e Faro

Sátira

1765

Conselhos para os novatos occuparem o tempo das ferias
II Parte (6Mb)

Paulo Moreno Toscano

Sátira

1765

Despique da mulher casada que teve as disputas com seu Marido, pela não querer levar a ver as Luminarias e o fogo (7Mb)

Pelo mesmo Author da Relação das Disputas
(Desconhecido)

Comédia

1785

Dialogo entre hum Algarvio e a sua Maria (2Mb)

Desconhecido

Comédia

1845

História da guerra europeia  (1Mb)

Desconhecido

Drama

s.d. por volta de 1940

Historia da donzella Theodora  (11Mb)

Carlos Ferreira Lisbone

Texto argumentativo

1827

Historia de D. Ignez de Castro
Collecção de Historias Populares - Nº 10 (8Mb)

Agostinho Velloso da Cruz

Livro de história, em jeito de romance

1909

História de João Soldado
Que teve a habilidade de meter o diabo num saco
Seguida da interessante história
As três cabeças de ouro (5Mb)

Desconhecido

Texto

1960 talvez

Historia jocosa dos tres corcovados de Setuval (7Mb)
Lucrecio, Flavio, e Juliano
Onde se descreve a equivocação graciosa de suas vidas

Desconhecido
(Escrita por hum curioso lisbonense)

Sátira

1842

Malicia da Mulheres (4Mb)

Desconhecido

Sátira

1827

Matricidio sem exemplo,
Uma filha que matou e esquartejou sua propria Mãi,
Matilde do Rozario da Luz, Lisboa - na travessa das Freiras, nº 17 (4Mb)

Camilo Castelo Branco
(se bem que não surja identificado)

Drama

1850
(se bem que não indicada a data)

Novo folheto contendo 5 lindas poesias (1Mb)

Desconhecido

Drama e sátira

1940 talvez (data não indicada)

O Braz Corcunda e o verdadeiro constitucional (8Mb)

E.J.A. De S.
(será Elesiário António de Sousa)

Debate de ideias

1821

O caçador (Entremez) 

(6Mb)

Desconhecido
(Pedro António Pereira ?)

Teatro de costumes com alguns toques humorísticos

1784

O desengano do mundo ou morte de Buonaparte encontrando este na eternidade hum rancho de corcundas (7Mb)

José Daniel Rodrigues da Costa

Diálogo / autocrítica

1830 talvez

O libertino castigado e a prizão no jogo de bilhar (5Mb)

Desconhecido

Teatro de costumes com alguns toques humorísticos

1789

O periodiqueiro por força, ou dialogo de hum tio e hum sobrinho (7Mb)

Desconhecido

Sátira

1821

A Peidologia (4Mb)

Desconhecido

Sátira

1836

 

As minhas folhas / panfletos - histórias

Títulos

Tipo

Data

Local impresão

Madalena a Mártir
Triste fim de dois irmãos

Drama

Não indicada mas será de antes de 1974

Tipografia C. O. Porto

Mãe desumana
(O triste drama de duas crianças) (autor Oileda)
Espera traiçoeira
(No hospital do Olival, uma pobre rapariguinha não resistiu à traição de que foi vítima) (autor Oileda)

Drama

Não indicada mas será de antes de 1974

Tipografia Colégio dos Órfãos - Porto

Desventura de uma mãe
(Morreu abraçada a duas filhinhas num pavoroso incêndio ao tentar salvá-las)
Lágrimas de dor
Triste fim de duas irmãs
(Como foi descoberto este abominável crime? Estes patifes, depois de terem abusado das duas donzelas, abandonaram-nas, as quais ficaram entregues às feras)

Drama

Não indicada mas será de depois de 1974

R.C.Fernandes
Rua dos Bragas 140 - Telef. 28239 - Porto
Tipografia: Colégio dos Órfãos - Porto

Menina assassinada na Póvoa
Mistérios da Natureza
Máter dolorosa
A vida de Beatriz (autor Oileda)

Drama

Não indicada mas será de depois de 1974

Tipografia: Colégio dos Órfãos - Porto

Guerra ao amor
(Um drama vivido entre duas primas, que tiveram a desdita de se apaixonarem pelo mesmo jovem, e daí nasceu a angústia para um coração destroçado, Sensacional, empolgante até ao fim.)
(autor Oileda)
A perdição do amor

Ilusão, só ilusão
(autor Oileda)
O desengano
(autor Oileda)

Drama

Não indicada mas será de depois de 1974

Tipografia: Colégio dos Órfãos - Porto

Amor de pai (dos jornais)
Mulher perversa
O caso do Homem que esteve enjaulado 30 anos pela mulher no concelho de S. Pedro do Sul
Pai assassinado pela própria filha (Barroca - Beira Baixa) (autor A. Nobre)
Mãe malvada (Autor Oileda)

Drama

Não indicada mas será de depois de 1974

Tip. Colégio dos Órfãos - Porto

Promessa mal cumprida
(Uma mulher de Vale Ferreiros, fez uma promessa à N. S. da Saúde. E vejam o que lhe aconteceu. Por sua culpa)
(autor: Oileda)
O rapto da Isabel
(Uma menina de 5 anos foi raptada pela própria mãe)
(autor: Oileda)

Drama

Não indicada mas será de antes de 1974

Tip. do Colégio dos Órfãos - Porto

As duas gémeas
(O mais sensacional drama de amor, vivido entre duas irmãs que se apaixonaram por um rapaz, que foi a sua perdição) (autor: Oileda)
Aventura duma Mãe (Morreu abraçada a duas filhinhas num pavoroso incêndio, ao tentar salvá-las)
A perdição duma Mãe

Drama

Não indicada mas será de antes de 1974

Tip. Colégio dos Órfãos - Porto

Falsidade
(O triste fim de uma mulher que se perdeu!)
Perdição de Amor!
A morte duma menina de 6 anos
(dos jornais diários)
Triste fim de dois irmãos
Mãe cruel

Drama

Não indicada mas será de antes de 1974

Tip. Colégio dos Órfãos - Porto

A abandonada
(O mais enternecedor drama de amor)
(Autor: Oileda)
Triste fim de duas irmãs
As duas órfãs
Espera traiçoeira

Drama

Não indicada mas será de antes de 1974

Tip. Colégio dos Órfãos - Porto

Milagre de amor
(Emoção - Suspense ; Leiam com atenção)
(Autor: Oileda)

Drama

Não indicada mas será de antes de 1974

Tip. do Colégio dos Órfãos - Porto

A história de uma mulher que casou com dois homens
Afinal não tinha nada
Grande Marcha de Lisboa
(Marcha popular - Letra: Artur Ribeiro)

Drama / Comédia / Canção

Não indicada mas será de antes de 1974

Tip. Batalha & Irmã - A. Saraiva de Carvalho, 55 - Porto

Fernanda, a mártir
(Uma jovem com 18 anos, órfã de mãe, por motivo da sua pouca sorte com o primeiro namoro, deixou tudo na vida, para professar a ser freira. Emoção, entusiasmo e sofrimento.)
Pai atraiçoado
(Caso comovedor. Um pobre pai que tinha três filhos, dois rapazes e uma mocinha, foi atraiçoado pelo seu filho mais velho)
Sinceridade e coragem duma mulher casada em honra de seu marido.
(S. Marcos)

Drama

Não indicada mas será de depois de 1974

Tip. Colégio dos Órfãos - Porto

O fugitivo
(O fugitivo é uma obra prima da Rádio Televisão Portuguesa)
(Autor: Oileda)
O emigrante
(Canta: Maria Albertina)

Romance

Não indicada mas será de depois de 1974

Tip. Colégio dos Órfãos - Porto

Uma vítima do destino
(Bem criada mas… malfadada)
Sacrifício duma Mãe

Drama

Não indicada mas será de depois de 1974

Tip. Colégio dos Órfãos - Porto

Sinceridade e coragem de uma mulher casada
(Em honra de seu marido)
Cruel traição

Drama

Não indicada mas será de depois de 1974

Não indicado

Mais um fenomeno
(Uma criança metade Peixe e metade Gente)

Drama

Não indicada mas será de antes de 1974

Tipografia Olhanense - Olhão

Uma creança morta à paulada pelos seus próprios pais
Mulher morta à machadada pelo marido

Drama

Não indicada

Tip. I. P. R. Lda T. Convento (carimbo)

As medalhas que ganhei
(Por José Serralheiro)
São Martinho nosso Amigo
(Letra de Sousa Rosa)

Louvor
Sátira
Não indicadaNão indicado
O horroroso crime de Soutêlo
(Um filho que mata o pai, a mãi e dois irmãos
Mãi desumana
(que queima o filho após 2 dias de nascido)
O crime de Vila Franca
(Mãi que afoga duas filhinhas para viver com um amante
DramaNão indicadaNão indicado
Mãi
(Recordação de A. Luiz Vieira Correia)
Morena
LouvorNão indicadaNão indicado
Castigo de Deus na Quinta de Monte Alegre - Santa Comba
Fado das caravelas
Perdoas-me
(Para uso dos Senorit)
(Por Ernesto Loureiro)
Drama / CançãoNão indicadaNão indicado
Em Vila-Flor deu-se um grande exemplo
Caldo e brôa
Saudades de outrora
(Música do Zé do Telhado)
Drama / Canção1945Tip. Ouriense
O horroroso Crime d'Aldeia de Matos
(Um homem que traiçoeiramente mata outro vibrando-lhe sete facadas)
A VII Volta a Portugal
(Homenagem aos corredores)
O crime de Salvaterra de Magos
Arrependimento da filha
Drama / Louvor1938 data da 7ª volta a Portugal ganha por José Albuquerque.
Data não indicada
Não indicado

Mar e terra
Uma filha criminosa

Louvor
Drama

Não indicada

Não indicado

Escuta Carmen
(Letra de: Domingos Gonçalves Costa)

Aconselhº

Não indicada

Não indicado

Amor de Perdição
Sebastião coitado
A minha casinha
(Cantada por MILU na sua casa da Costa do Castelo)

Drama / Comédia / Canção

Não indicada

Tip. Ferreira - Lagos

 

As minhas folhas / panfletos - canções

Títulos

Tipo

Data

Local impresão

Canções novas
L´oiseau et l´enfant
Último passeio de Santo António
Gabriela Cravo e Canela
A Anita não é bonita
Caldeirada poluída
É preciso renascer
É triste não saber ler
Milho verde
Cigano
Coentros e rabanetes
O menino
Volta Rabi
Hino à liberdade
Canta cigarra
Só eu sei, meu amor
Mão na mão

Canções

Não indicada mas será de depois de 1974

Não indicado

Canções modernas
Grândola vila morena
Vamos lá fadistas
Ó liberdade
Tu és mulher não és uma santa
O nosso amor
Ó Ramos hoje cá estamos
Portugal ressuscitado
O Homem de Nazaré
Meu amor é marinheiro
Avante camarada
25 de Abril; Nova aurora!
Paz e amor
Malhão de Águeda
Não deixes que calem mais a tua voz
Os Bravos
Felicidade
Um novo Abril
Pátria libertada
Prisioneiro
Ao trabalho meu povo
Catarina Eufémia
Alta roda
Não julgues
Oferenda
O poder da flor
Caminhada

Canções

Não indicada mas será de depois de 1974

Tip. Colégio dos Órfãos - Porto

Novas canções
Eu tenho dois amores
Minha Tia
Hoje há festa
Bem-me-quer, mal-me-quer, muito, pouco e nada
Canção do beijinho
Tão amantes que nós fomos
O Chico Pinguinhas
Vamos dar as mãoes
Ninguém, ninguém
Canção proibida
Meu querido, meu velho, meu amigo

Canções

Não indicada mas será de depois de 1974

Não indicado

Canções
Uma flor à janela
A ave e a infância
Saca o saca-rolhas
Hinoà liberdade
Vinho verde
Português é um malmequer
Somos dois
Marco
É preciso renascer
A Anita não é bonita
Menina alegre
O menino
Gabriela cravo e canela
Cigano
Canta cigarra
Só eu sei meu amor
Milho verde
A mão na tua mão

Canções

Não indicada mas será de depois de 1974

Tip. Colégio dos Órfãos - Porto

Canções do festival - 78
Dai-li dai-li dou
Tudo vale a pena
Porquê
Aqui fica uma canção
Pela vida fora
Tu, Charlot!
Ano novo, vida nova
O largo do coreto
Só louco
Um Dia uma Flor
Canção da amizade
O circo e a cidade
Nuvem passageira
Quem te quer bem, meu bem
Algodão doce

Canções

Não indicada mas será possivelmente de 1978

Não indicado

Canções do festival 82
Bem-bom
Em segredo
Até amanhecer
Gosto do teu gosto
Quero ser feliz agora
Sonho a dois
Trocas-baldrocas
Banha da Cobra estica e não dobra
Amor português
É o fim do mundo
Vai mas vem
Tudo tim-tim por tim-tim
Quem vier por bem

Canções

Não indicada mas será possivelmente de 1982

Não indicado

Canções do festival 83
Erva ruim
Rosas brancas para o meu amor
Vinho do Porto, vinho de Portugal
Parabéns, parabéns a você
Terra desmedida
A cor do teu baton
E afinal quem és tu?
No calor da noite
Mal d'amores
Esta balada que te dou
Ave do paraíso
Rosa flor-mulher

Canções

Não indicada mas será possivelmente de 1983

Não indicado

Tudo perdi
Não te mereço
(Fado - canção - creação de Rui de Mascarenhas)

Drama / Canção

Não indicada

Não indicado

Canção do desespero
(Do filme português "Capas Negras")
Canção de Coimbra
(Do grande filme "Capas Negras")
Serenata
(Do lindo filme "Capas Negras")
Rapazes cautela
(Por José Serralheiro)

Canção / Sátira

Não indicada

Tip. Feijão - C. Branco

Colete encarnado - Fado da Severa
(Cantado por Manuel Monteiro)
Amor à pátria
As Boas-Festas
(Letra de Alberto da Silva Braga)
As mulheres são todas boas

Canção
Louvor (ao filho soldado que vai combater…)
Oração
Sátira

Não indicada

Tip. Fonseca - R. Picaria, 74 - Porto

O preto
O toureiro e a bailarina
(Por Júl o Vieitas)
Fado das caravelas
Lisboa não sejas francesa

Louvor
Drama
Canção

Não indicada

Não indicado

As medalhas que ganhei
(Por José Serralheiro)
São Martinho nosso Amigo
(Letra de Sousa Rosa)

Louvor
Sátira

Não indicada

Não indicado

Algemas
(Letra de "Algemas" Fox)
Pedido de mãe
(Letra de Augusto Artur da Silva para o reportório de sua Esposa)

Canção

Não indicada

Não indicado

Rainha da Paz Salvadora de Portugal
Nª Sª de Fátima

Canção

Não indicada

Tip. Progresso - Espinho

 

Referências e sugestões de leitura

[1] - Wikipedia – Literatura de cordel

[2] - Roque, Renato – De Plauto ao teatro de cordel em Portugal e no Brasil

2014 - Faculdade de Letras da Universidade do Porto

[3] - Nogueira, Carlos – Literatura de cordel portuguesa – 3ª edição- 2006 – Apenas Livros

[4] - Moutinho, José Viale – Literatura de cordel / uma antologia – Círculo de leitores ; 2014

[5] – Ruiz, Betina dos Santos - A retórica da mulher em polémicas de folhetos de cordel do século XVIII- Dissertação de mestrado – 2009 - Faculdade de Letras da Universidade do Porto

 

Outras sugestões

Programa áudio apresentado por Iolanda Ferreira, com o saudoso Rúben de Carvalho, dedicado à literatura e canção de cordel. Bastante didático, como era tónica dos programas do Rúben de Carvalho.

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/literatura-e-cancao-de-cordel/

_o0o_

Filme dos arquivos da RTP em que os primeiros 20 minutos abordam este tema (a imagem foi extraída desse filme). São entrevistados um editor, uma senhora que fazia traduções, alguns vendedores.

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/impacto-6/

1973_Cego_folheto_cordel_RTP_Memoria.jpg

_o0o_

Vídeo "Romances e vozes de cordel" - acessível no Youtube (a imagem foi extraída desse filme). São entrevistadas pessoas que têm contos / cantigas na memória e os declamam.

https://www.youtube.com/watch?v=wXn2d6h2Psw&ab_channel=memoriamedia

Vozes_de_cordel.jpg

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Manuel_Proenca_Rebelo_arar_terra_1984_possivelment

Foto: O senhor Manuel Proença Rebelo lavrando a sua terra
LMCPM - 1982

Até um tempo relativamente recente, a grande maioria das pessoas cumpria o seu ciclo de vida quase sem sair da sua terra natal. Em Caria, como em todas as localidades do interior de Portugal, o dia-a-dia seguia as rotinas do tratamento da terra e do cuidar do gado. Se Deus Nosso Senhor assim o determinasse, recolheriam os frutos do seu esforço e assim sustentavam a sua família. As palavras ajustavam-se às necessidades e a fonética era o resultado de uma combinação de um caldo de cultura que veio de tempos remotos, recombinando-se em cada geração com o que de novo a sociedade ia propondo.

“As novidades”, sempre ocorreram em todas as épocas, mas o ritmo era muitíssimo menor do que atualmente. Com o evoluir dos tempos, sobretudo desde o final do século 19, tudo se alterou de forma progressivamente mais acelerada. A chegada do comboio, a abertura de estradas, o telefone, a rádio, a televisão, a mobilidade das pessoas para centros urbanos ou como emigrantes para “outros mundos” e, claro, as profundas mudanças sociais decorrentes da revolução de 1974, trouxeram uma avalanche de novos hábitos, novas práticas, tornando obsoletas e desnecessárias muitas das palavras que antigamente eram comuns.

Quem como eu nasceu e viveu a juventude numa pequena localidade como Caria até ao início da década de 1980, guarda na memória um mosaico único de palavras que constituía uma espécie de “impressão digital” da terra. Algumas das palavras são conhecidas um pouco por todo o país. Outras são mais específicas, em particular desta região da Beira Baixa. Não houve preocupação em distinguir quanto a esse aspeto, mas tão só registar os termos de uso comum - gíria da minha terra natal, até há cerca de 50 anos atrás.

Este levantamento teve como ponto de partida, para lá da memória pessoal, outros levantamentos disponíveis na internet, em particular dois que são identificados no final desta publicação.

 

Ti Maria

Numa gravação áudio de 1991, “Cantadeiras de Caria”, na altura vendida no suporte de fita das “velhinhas cassetes” hoje em desuso, Maria Alcina (ver breve nota biográfica no final desta publicação) assume a personagem “Ti Maria”, onde num delicioso monólogo com o ouvinte vai explicando como lhe está a correr dia. Usa como seria de esperar muitos dos termos deste glossário.

Pode escutá-la aqui.
Selecione "Download" na página que surge.

 

Sugestões

Todas as sugestões de revisão são bem-vindas. Agradeço que para tornar mais eficaz a comunicação, as sugestões sejam encaminhadas para o meu mail pessoal: lmcpm@sapo.pt

 

Glossário de termos regionais de Caria / Belmonte

 

A

Abalar - Partir, ir embora

Abano - Utensílio para atear a fogueira

Acagaçado – Com medo

Acartar – Carregar, transportar

Achanatar - Fazer à pressa

Acunapado - Mal remendado

Acusa-Cristos - Denunciante

Aforrar (as mangas) - Arregaçar

Alancar (com o saco às costas) – Aguentar o peso

Alacrário – Lacrau, escorpião

Alapado – Agachado, à espera, parado

Albarda - Sela rústica para animal de carga

Aldraba – Argola que fica do lado de fora da porta e que rodando faz abrir o trinco interno

Aldravada - Aldrabice

Amainar – Acalmar (muito usado referindo-se ao vento)

Amanhar (a terra) – Preparar a terra para o cultivo

Amargoso – Amargo

Amigar-se – Ir viver com a amante

Amochar – Aguentar um peso com resignação (com frequência associado a cargas físicas)

Amodorrado – Encolhido (por vezes associado a doença febril)

Amolancar / amolancado – Amolgar / Amolgado

Arreado – Vestido (possivelmente por associação jocoso aos arreios dos animais)

Arrelampado – Confuso, zonzo

Arreganhar (os dentes) – Atemorizar mostrando os dentes

Arreganhar (de frio) – estar a tiritar de frio

Arreliar - Provocar outro com o sentido de o irritar

Arremedar – Gozar com o outro, repetindo o que ele diz

Arrenegar – Esconjurar; Amaldiçoar

Arrocho – Pau curvo onde se penduravam os animais para ser desmanchado depois de morto

Arteiro – Vivaço (ex: Veio todo arteiro…)

Artolas – Mariola, armado em esperto

Atão – Então

Atazanar – Espicaçar / Enervar

Atiradeira – Fisga

Atoleimado – Tolo

Aventar – Deitar abaixo, deitar fora

Avesar / avesada (com isto) – Habituar / habituada (com isto); Ex: Avezamo-nos – Habituamo-nos

Asado – Ajeitado; Ter jeito

 

B

Bácoro – Porco

Badagaio (dar-lhe o) – Desmaiar, ir-se abaixo…

Badameco – Zé ninguém

Bandulho – Barriga (estômago)

Baraço – Novelo de corda

Barbeiro (estar um) – Estar frio

Barda (em) – Em grande quantidade

Bardamerda – (Mandar à) Merda

Barguilha – Abertura das calças

Barroco = Rochedo de granito de grandes dimensões (referido normalmente na sua localização natural)

Bate-cu – Cair de rabo no chão

Bedum - Sabor e cheiro do sebo na carne de borrego ou carneiro

Bento / Benta – Curandeiro, alguém que tem poderes de curar os males do espírito

Bica - Pão comprido e espalmado que se come pelos Santos feito com farinha triga e azeite; Servia de presente dos padrinhos aos afilhados. Fonte com água a escorrer por um tubo, telha, ou uma qualquer conduta que a faz sair da parede, muro ou tanque de onde a água provém.

Bichas – Lombrigas; verme parasita que por vezes se aloja no estômago e intestinos

Bisca – Jogo de cartas; “Bisca lambida” era um termo que derivaria da forma popular em que os jogadores humedeciam os dedos (lambiam) com saliva para melhor manusear as cartas, que se tornavam sujas e pouco higiénicas. Mas antigamente a higiene era um luxo e preocupação de poucos…

Bispo (entrou o) – A comida esturrou

Boa-vai-ela (andar na…) – Divertir-se, vadiar, sem grandes preocupações.

Bocachinho – Poucochinho, Bocadinho

Bôcho – Nome genérico para chamar um cão

Bodega – Coisa imunda

Boer – Corrupção de beber

Bofatada - corrupção de "bofetada"

Bofes – Pulmões

Bolacha / (andar à bolachada) - Sopapo / (andar à bulha dando sopapos)

Bolandas (andar em) – Andar em voltas complicadas

Bolir – (Mexer, incomodar)

Bonda (bem bonda) – Basta, já bem basta

Borco (de) – De barriga para baixo

Bordoada – Pancada com um pau (bordão)

Bornal - Saco em que se levam pertences ou a merenda. Saco com ração que se enfia no pescoço dos burros

Borra-botas – Pessoa sem posses a quem se pretende retirar qualquer valor

Borracho / Borrachana / Borrachão – Bêbado

Borralho – Braseiro na lareira

Borrega – Bolha de água na mão ou no pé

Botar – Deitar algo em algum lugar ou recipiente

Botelha - Cabaça, tipo de abóbora

Botica - Farmácia

Botifarra – Bota grosseira e grande

Braguilha – Abertura da frente da calça dos homens; equivale a “portinhola”

Braveira / apanhar uma... - Estar irritado e barafustar

Bromelho – Corrupção de Vermelho

Brusco (tempo…) – Tempo nublado, escuro, desagradável

Bucha – Bocado de pão com conduto

Bucho - estômago do animal (o termo pode ser aplicado ao nosso estômago - ex: enchi o bucho)

Bufa – Peido

Bulha – Zaragata

Búzio (o tempo estar... os olhos estarem...) - cinzento / enevoado

 

C

Cabeça de alho chôcho – Pessoa com pouco juízo

Cabo dos trabalhos – Expressão que se refere a algo que foi ou será muito difícil de fazer

Cachaporra – Pancada muito forte

Cachimónia – Cabeça (com o sentido de cérebro – pensar)

Cachopa / cachopo - Rapariga / rapaz

Caco (menino do…) – Menino mimado

Cagaço – Medo, susto

Caga-lume - Pirilampo

Cagança – Gabarolice

Caganeira - Diarreia

Caganeirento – Vaidoso

Caganito – Pequena quantidade de algo

Caguinchas - Medroso

Cagulo (de) – Estar cheio ao máximo (comida tipicamente – não se aplica a líquidos)

Calhoada – Pedrada

Calmeirão – Homem corpulento

Caluda! – Expressão para exigir silêncio

Cambada – Corja; Gente de má índole (aplica-se a um conjunto de pessoas e não individualmente)

Canalha – Crianças pequenas

Cantareira - Armário ou estrutura montada numa parede para colocar os cântaros, sobretudo os cântaros de água (quando a água era recolhida de fontes públicas ou naturais), mas também pratos e copos.

Cantilena - Cantiga

Caracho – Expressão de admiração; Equivale a Carago

Carago - Expressão de admiração; Equivale a Catancho e a um termo ainda hoje em uso com as mesmas duas sílabas iniciais.

Caramelo – Camada de gelo; frio intenso

Cardina - Bebedeira

Carrapato (=Encarrapato) – Carraça de pele lisa; Também se refere a alguém nú

Carrapicha (ir à) – Ir aos ombros (sentado nos ombros) de outro; Normalmente uma criança às carrapichas de um adulto

Carrapito – Arranjo de cabelo das senhoras em que o cabelo fica apanhado por trás e por cima (zona da coroa / occipital) formando um pequeno novelo

Carraspana – Bebedeira

Carrego (Um…) – Carga que seguia um padrão. Podia referir-se a um homem “levar um carrego às costas”, ou um animal, como por exemplo um burro

Carumba - Corrupção de "caruma", agulhas de pinheiro secas depois de cairem ao chão

Cascana - Muco seco do nariz

Cascar (cascar em) - Bater em alguém

Castada - Corrupção de cacetada (pancada)

Casulo (do milho) - Interior da maçaroca

Catano – Expressão de admiração; Equivale a Carago

Catancho – Expressão de admiração; Equivale a Carago

Catita – Bem arranjado; Bonito

Catraio – Garoto

Catrapiscar – Piscar o olho a alguém

Catrefa – Grande quantidade (tipicamente quantidade de gente)

Cavalitas (andar às) – Andar às costas de alguém; tipicamente crianças

Catrino (ai o) – Desabafo; equivale a “Mas que raio!”; Equivale a Catano e Catancho

Chanato - Sapato

Chão – Pequena horta

Chambaril - Pau ou ferro para pendurar o porco após ser morto, para se proceder ao ato de o "desmanchar"; Equivale a arrocho

Chiba – corcunda

Chicha – febra

Chincar – Espetar

Chinfrim - Barulheira /algazarra

Chita - Ficar a zero, por exemplo num jogo / ter um péssimo resultado; "Não ser chita" corresponde por exemplo a não ficar a zero, não ter o péssimo resultado

Côca – Entidade perigosa que se nomeava para assustar as crianças com medo, para não fazerem algo ou não ir a determinado sítio (pois podia vir a côca)

Corricho - Porco

Cravelha – Lingueta (trinco) da porta; tipicamente consta de uma peça de madeira pouco espessa mas robusta, rodando num eixo central

Conduto – Pedaço de comida de origem animal (carne, chouriço…) para comer

Cunapa – Remendo

 

D

Danado (estar) - Estar furioso;

Derrancado – Extenuado; De rastos

Desandador – Chave de fendas

Desenculatrado – Escangalhado

Desenxabido – Sem gosto

Desobriga – Confissão anual pela Quaresma (para cumprir o preceito – pelo menos uma vez por ano…)

Destrocar (dinheiro) – Trocar tipicamente uma nota de valor elevado por notas ou moedas de menor valor.

Diacho - Forma popular de referir o diabo; Exemplo: "Arre diacho!"; Segundo a tradição não se devem nomear de forma direta os "maus espíritos" pois eles podem acorrer ao nosso chamamento. Por essa razão foram criados diversas outras denominações para que "ele" não vir ao nosso encontro...

Doidana (estar numa) - Estar a comporatar-se de forma irracional

Doidivanas – Pessoa de vida desregrada

 

E

Emborcar – Beber de forma sôfrega

Empancar – Bater em algo que não deixa avançar ou não deixa abrir da forma normal (por exemplo uma gaveta)

Empanturrado – Cheio de comida até ao limite

Empanzinado – semelhante a empanturrado, mas mais associado a pão

Empata (um…) – Alguém que não se desenvencilha no que devia fazer e atrasa os outros

Empenado – Torcido, torto; Diz-se também de uma mesa ou banco em que as pernas não estão à altura correta, e fica a abanar facilmente

Empinar (bebida) - Beber até à última gota; Termo possivelmente derivado do gesto que será comum fazer de colocar o recipiente na vertical para que tal se faça

Empranhar – Corrupção de emprenhar; Ficar prenhe, grávida

Encafuado – Escondido, oculto; Aplica-se também na simples situação de estar na cama todo coberto com o lençol ou manta (encafuado na cama)

Encalacrado – Estar numa situação comprometedora, difícil de sair

Encarrapato – Nú

Encarrapitar – Colocar / colocar-se por cima, tipicamente numa posição não muito estável. Exemplo:  O senhor encarrapitou a criança aos ombros.

Enfarruscar / enfuscar - Sujar com cinza ou pó de carvão

Engonhar - Perder tempo

Enjorcado (mal) - Mal enjorcado = mal arranjado, normalmente referente a "mal vestido"

Enjorcar – Engolir de forma sôfrega

Ensertado – Já aberto (um invólucro que esteve fechado com alguma coisa – tipicamente comida, mas que entretanto alguém já abriu e gastou parte)

Entornado - Bêbedo

Esborralhar – Desmanchar (em partes pequenas)

Esbugalhar os olhos – Abrir muito os olhos (como bugalhos?)

Escanchar – Abrir, alargar, rachar (frase comum “escanchar as pernas” – estar de pé com os pés / pernas afastados

Escarafunchar - Revolver; Esgravatar

Escarcéu – Ruído; tipicamente gritaria

Escarranchado; Estar sentado de pernas abertas (por exemplo montado num animal)

Escarrapachado – Equivalente a escarranchado; Mas também se aplica a um texto, por exemplo de um edital, que se queira dizer que está bem à vista (possivelmente por associação malandra de quando uma mulher de saias está assim deixará algo bem à vista…)

Escava-terra (uma… feminino) – Toupeira

Escápulas – Cápsulas de medicamentos

Escorropichar – Beber até à última gota, deixando o líquido escorrer

Esgalhar – Cortar os galhos (ramos mais pequenos); Também se aplica com o significado de andar de depressa (andar a esgalhar, andar na esgalha)

Esgana – Doença dos cães que lhes afeta a respiração (Nota: Este termo é o usado pelos veterinários)

Esganar – Matar por asfixia; Estrangular

Esgolaimada – Mulher com camisa aberta à frente de forma exagerada tendo em conta as convenções (nos anos 1960 podia ser algo extremamente discreto aos olhos de hoje…)

Esgróviado – Tolo

Esguedelhado – Cabelo desgrenhado

Esmifrar (alguém) – Explorar alguém de forma abusiva; Ex: conseguir obter muitos bens / dinheiro dessa pessoa

Esmoer – Fazer a digestão

Estortegar – Torcer e danificar um membro – Ex: “Estorteguei um tornozelo” equivalendo a “torci / desloquei um tornozelo”

Espichar – Esguichar; Líquido que sai sob pressão de um orifício pequeno

Espinhaço / espinhela – Coluna dorsal

Espojar-se – Rebolar-se no chão e encher-se de pó / areia

Esquecido – Tipo de bolo regional achatado e redondo, com massa parecida com o pão de ló, mas seco

Estafermo – Pessoa de má índole

 

F

Farrusco - Estar enfarruscado; aplica-se também ao tempo atmofésrico com o sentido de nublado (equivale a "estar búzio")

Fedelho – Criança / miúdo (pejorativo)

Fraldisqueiro – Mal vestido

Fressura - Vísceras

Fumaceira – Fumarada / Muito fumo

Funda – Quantidade de azeite que se teve por uma quantidade de referência de azeitona (Ex: Um alqueire)

 

G

Gacho (de uvas) - Corrupção de "cacho"

Gadanha - Concha da sopa

Ganas – (dar nas ganas) Decidir-me a … (ter ganas) Ter vontade muito forte de…

Garruço - Gorro, caparuço

Gasganete – Goela / garganta

Gola – Goela / Garganta

Gosma (estar com a) – Estar com catarro

 

J

Jaja – Fato / Roupa

Javardo – Porco

Jeira - Parcela de terra que se consegue lavrar num dia pelos bois

 

L

Ladroeira - Ato de roubar (pode não ser o roubo de objetos, mas o de se vender a preço excessivo)

Lanho – Golpe / ferida

Lamúria – Choramingueira

Laréu (estar no) – Conversar (estar a)

Lavarinto (andar num) – Andar em grandes trabalhos e pressas, de um lado para o outro

 

M

Madeiro - Um único grande tronco de árvore, ou vários troncos de menor dimensão mas constituindo um volume igualmente considerável de madeira, o qual é ritualmente colocado a arder na véspera de Natal, numa praça central da localidade, procurando-se que a chama continue acesa até ao ano novo. Constitui um ponto de encontro das gentes da terra, sobretudo no final do dia, reconfortando-as da habitualmente gélida temperatura ambiente.

Mal-amanhado – Feito à pressa

Mal – enjorcado – Mal vestido

Malha (Levar uma) – Levar uma sova

Malina – Doença mortal epidémica (nos animais); muito frequente nos coelhos

Malmandado – Indivíduo desobediente

Malmurcho – Doença que murcha as plantas

Marrafa – Franja de cabelo comprida sobre a testa

Marrano - Porco

Matacão – Alguém corpulento e sem modos / abrutalhado

Matação – Matança do porco

Marreco – Corcunda

Mecha – Pedaço de pano que se põe a arder (exemplo: a tira que está embebida no petróleo – candeeiro de petróleo)

Medrar – Crescer

Melindrosa – Sensível / que fica facilmente afetada (por exemplo com doenças)

Mijinhas (às) – Aos poucos

Miminho do caco – Pessoa mimada

Mocho – Banco baixo e pequeno

Monca – Ranho (a pingar do nariz, ficando dependurado)

Mono – Amuado

Mordiscar – Pequena mordidela; Comer um pequeno pedaço de algo, tipicamente pão, cortando apenas com os dentes incisivos

Mosca-morta – Pessoa com pouca iniciativa

 

N

Nagalho – Pedaço de cordel

Nalgas – Nádegas

Nesga - Parte pequena de algo - exemplo: Uma nesga de terreno;
              "De nesga" - Estar de lado, estar de viés;
              "Bater de nesga" - Bater de raspão.

 

O

Ódespois / Osdespois – Equivale a “e depois…”

 

P

Panada – Pancada ; Exemplo: andar à panada – andar à pancada

Pantanas (ir de) - Cair

Pantominas – Trapalhão

Papo-seco - Pequeno pão de trigo, com uma forma peculiar, em que o padeiro batia com a mão no meio, em jeito de cutelo e puxava os extremos originando o que se denominava as "maminhas"

Pecarricho / Pequerricho - Pequeno

Pedrisco - Granizo

Pelainudo – Alguém com mau aspeto, mal vestido, desleixado

Peneiras / Peneirento – Vaidade / Vaidoso

Penicada - Fezes humanas

Penico - Esterco, estrume (para lá do habitual significado de recipiente próprio para se urinar e defecar)

Pentem – Corrupção de Pente

Pertelinho – Pertinho

Pincho – Trinco

Pindericalho – Algo pendente de pouco valor; Por exemplo uma bugiganga a fazer de colar

Pingarelho (armar ao) – Basófia

Pinoco – Marcador / pino (por exemplo um marco da estrada, ou um pino de um jogo da malha)

Pirisca – Parte final do cigarro, quase todo já fumado (os pobres apanhavam as piriscas dos outros e fumavam-nas)

Pita – Galinha

Pitrol – Petróleo

Poldras – Pedras que se colocavam nas ribeiras, afastadas um pouco umas das outras, mas permitindo passar a pé sobre elas sem se molhar

Portelo – Entrada da quinta

Portinhola – O mesmo que braguilha

Prantar – Colocar algo num sítio de forma muito exposta / que incomoda; Exemplos: “Prantaram-me aqui isto à porta!”; “Estás aí prantado a olhar para mim?”

 

Q

Quêdo – Quieto; Sossegado

Quelha – Viela estreita

Queimoso – Sabor do queijo picante

Quilhado – Prejudicado

 

R

Rabicho – Cabelo a fazer… “rabo de cavalo”

Ralado – Preocupado

Raimoso – Picante (ex: queijo)

Rebatinha (deitar à) – Deitar tudo de uma vez para quem quiser apanhar (quando alguém tinha por exemplo cromos de jogadores a mais que já não lhe interessavam, gerava alguma “festa” para os outros deitando-os ao ar e os outros corriam a apanhar)

Recusa (fazer) - Acusação, denúncia

Respigo – Pequena parte de um cacho de uvas

Roçar (o chão da casa) - Esfregar o chão da casa

 

S

Salvação (dar a) – Cumprimentar (quando se cruza com alguém)

Salta-roscas - Osga

Saraiva - Granizo

Sêmea - Pão de formato médio / grande, arredondado, com uma côr algo escura pois é / era feito com farinha de trigo pouco refinada (dizia-se ser de "farinha de 2ª")

Sobrado – Sótão

Soltura – Diarreia (= Caganeira…)

Somítico – avarento

Sopapo / andar à sopapada - bofetada / andar à bofetada

Sorna (ser um) – Preguiçoso

Sortes (ir às) – Ir fazer exame militar

Sumiço – Desaparecimento

Sucapa (à) - De forma a tentar passar despercebido

Sustância – Comida de maior riqueza proteica (ex: carne, peixe, ovos)

 

T

Tapada – Terreno agrícola com muro à volta

Tartulho – Tipo de cogumelo

Testo - Tampa da panela

Tinhoso – Nojento

Tomata - Corrupção de tomate

Topadela – Pancada imprevista com os dedos dos pés, a andar, tipicamente bastante dolorosa

Trambalazana – Brutamontes

Trambelho – Juízo

Trampa – Fezes

Trombas (andar de…) – Andar com cara de desagrado

Trouxe-mouxe – Feito rápido sem cuidado

Tuta e meia – Barato

 

U

Unto – Banha de porco

Úrsula – Corrupção de úlcera

 

V

Venda (a) – Pequeno comércio / mercearia

Veneta – Fúria

Vianda – Preparo de comida para dar aos porcos, tipicamente uma “sopa” com bastante água, legumes cortados e restos diversos de comida humana;

Vivo (O…) – Animais que se tratam. “Ir dar de comer ao vivo”, significa ir dar de comer aos animais. Porcos, coelhos, galinhas…

Vraveira (estar numa) – Estar bravo, irado – corrupção de “braveira”

 

X

Xé-xé – maluco

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Foram incluídas sugestões de:

Graça Neiva Correia Ribeiro
Dulce Pinheiro
José Joaquim Pinto de Almeida
Adozinda Pereirinha

 

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Breves notas biográficas da D. Maria Alcina.

Maria Alcina Cameira Franco Patrício (Caria 1920 – Lisboa 2012), dedicou boa parte dos seus estudos à música e às artes (Conservatório Nacional de Música; Escola de Artes António Arroio). Exerceu diversas atividades sobretudo relacionadas com o ensino de arte e desporto. Escreveu poesia. Teve intervenção política.

Manteve sempre um grande dinamismo demonstrando uma enorme alegria de viver, dinamizando ações na sua terra natal.

Criou o grupo Cantadeiras de Caria, o qual participou em eventos e festivais nacionais e internacionais.

Recebeu da câmara municipal de Belmonte a medalha de mérito municipal.

1985_Cantadeiras_2.jpg

Foto: Cantadeiras de Caria, cantando as Janeiras, em 1985
Maria Alcina surge com as mãos juntas, sensívelmente ao centro mas um pouco sobre o lado esquerdo
LMCPM - 1985

 

Agradeço aos filhos Albertina e António a concordância na divulgação da gravação aqui disponibilizada.

 

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Este levantamento consultou as seguintes páginas da internet. Aos seus autores, manifesto o meu reconhecimento.

Paulo Jesus - pj1966@sapo.pthttp://cidadedacovilha.blogs.sapo.pt/1820.html

Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa» - leitaobatista@gmail.com - https://capeiaarraiana.wordpress.com/category/o-falar-de-riba-coa/

 

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