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Cabeco_de_Fraguas_David_Caetano_menos_ceu.jpgFigura 1 - Cabeço das Fráguas – Imagem de David Caetano ( https://dokatano.blogspot.com/ )

Como um texto gravado numa rocha, no cimo de um monte na região da Guarda, nos pode mostrar como um deus fenício se fundiu com um deus lusitano...

Falamos de um monte relativamente isolado da Beira Interior, denominado Cabeço das Fráguas, equidestante da Guarda (a sul) e de Belmonte (a nordeste), a cerca de 12 quilómetros em linha reta de ambas as localidades. No seu topo podemos encontrar uma rocha gravada com um texto em caracteres latinos, que é bem conhecido dos arqueólogos.

Localizacao_Cbeco_de_Fraguas.JPGFigura 2 – Localização de Cabeço das Fráguas – No canto inferior esquerdo vemos Belmonte – No topo, a meio vemos a Guarda

O texto terá sido gravado durante a ocupação romana, provavelmente por volta do século I da nossa era. Sucede que, apesar de usar os nossos conhecidos caracteres latinos, não está escrito em latim. Está escrito na denominada “língua lusitana” cuja origem é alvo de debate mas que resultará de línguas do ramo indo-europeu [5].

Inscricao_Cabeco_de_Fraguas.jpg
Figura 3 - Inscrição na rocha em Cabeço das Fráguas - Imagem retirada de O Santuário do Cabeço das Fráguas através da arqueologia [1]

 

São muito poucos os textos conhecidos desta língua e uma das consequências é que há poucas certezas sobre o significado das várias palavras. Tal não impede porém, que este texto em particular, forneça muitas informações interessantes. Não há grandes dúvidas de que descreve as oferendas a dar a alguns deuses neste local, o qual seria um santuário. Sobre o que seriam exatamente as oferendas e que deuses eram invocados, tanto quanto averiguei é alvo de bastante debate com poucos consensos. Apesar destas dificuldades e de eu não ser especialista, tentarei aqui fazer uma breve contextualização do seu significado e apresentar um pequeno contributo, que decorre de pesquisas minhas anteriormente aqui publicadas.

No final, a secção “Em jeito de conclusão”, resume os pontos que considero de maior interesse.

 

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O local, e o que a arqueologia nos pode informar

Para contextualizar melhor este local do ponto de vista arqueológico, vou fazer algumas breves referências extraídas do artigo de Maria de Santos e Thomas Schattner, O Santuário do Cabeço das Fráguas através da arqueologia [1].

A imagem inicial mostra o aspeto dessa rocha. A gravação encontra-se numa face ligeiramente inclinada, virada a nascente, mas sobre a horizontal, ao nível do chão.

O monte tem uma elevação bastante significativa, com 1015 metros, destacando-se no horizonte, se bem que tenha outros montes por perto nesta região bastante montanhosa.

A parte superior do monte, relativamente plana, apresenta vestígios do que seriam dois recintos. Um externo, no perímetro dessa parte superior e outro mais interno, num socalco um pouco mais elevado onde se situa a inscrição.

Planta_area_intervencao_e_localizacao_inscricao.jp
Figura 4 - A posição dos recintos, a localização da inscrição e o espaço escavado que foi objeto principal de estudo

Segundo estes autores ficou claro que este foi um local de culto pelo menos desde o século VII AC.

Um aspeto que realçam é de se constatar em toda a área uma concentração de blocos de escória de ferro e vestígios de pelo menos dois fornos de fundição. Tal não surpreende de todo, pois a palavra “frágua” significa “forja”.

O estudo identificou três etapas de ocupação:

  • Na transição do Bronze Final para a 1ª Idade do Ferro (séc VIII-VII a.C);
  • No início da 2ª Idade do Ferro (séc. IV-III a.C) e que se manterá até ao séc. II-I a.C;
  • A seguir à anterior e até ao final do século I da nossa era; É nesta fase que surgem os primeiros elementos romanos e se supõe que tenha sido feita a gravação.

O estudo refere também a constatação de que existiram diversas estruturas de edifícios ao longo destes períodos, os quais foram diminuindo de tamanho ao longo das épocas. Estas estruturas porém não foram usadas como habitação, pois não tinham lareira, que seria obrigatório encontrar se tal uso sucedesse.

Salientam ainda a qualidade dos vestígios cerâmicos com grande diversidade de decorações, ao contrário do que foi encontardo em outros locais próximos ocupados nas mesmas épocas.

Consideram os autores estranho predominarem vestígios de recipientes para líquidos de pequena e média dimensão, bem como potes e panelas para confeção de alimentos, com sinais de terem estado ao fogo, mas não se observarem contentores de grande dimensão.

Num outro artigo da mesma autora [3] são dados mais alguns detalhes sobre o que foi descoberto. Por exemplo dois ganchos em bronze (figura seguinte) que terão sido utilizados para suporte de recipientes sobre o lume. Foram também encontrados objetos associados à moagem de cereais.

Aparentemente os alimentos eram confecionados e consumidos de imediato, em banquetes rituais, o que é coerente com o texto da inscrição.

Furculas.jpgFigura 5 - Ganchos em bronze encontrados no local e desenho do que seria o objeto completo - Imagem retirada de [3] - segundo Armando Coelho Ferreira da Silva - A Cultura Castreja no Noreste de Portugal – 1986

Que forma teriam os rituais é um completo mistério pois não se conhecem descrições dos mesmos. Porém, se o leitor quiser ter um vislumbre disso, sugerimos a leitura do artigo Breve observação sobre a representação processional no ocidente hispânico [4], da autoria de Thomas G.  Schattner, onde se apresentam imagens de artefactos desse período encontrados na península. São gravações em peças de ourivesaria, relevos em pedra e esculturas em bronze, do que poderão ser  cerimónias ou atos de sacrifício.

Mostro aqui duas imagens, de um machado de bronze, onde é feita uma representação que poderia ter alguma correspondência com o que sucederia no Cabeço das Fráguas. Figuras humanas alternam com animais, vendo-se um caldeirão na posição inicial. Uma das figuras humanas segura uma faca. Os animais serão um carneiro, um borrego, um porco, um leitão, uma cabra e um urso. Haveria também uma ave.

Machado_bronze_ritual.jpgFigura 6 - Vista frontal e traseira de um machado de bronze representando um ritual – coleção de Valência de Don Juan, segundo Blanco Freijeiro - 1957

 

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A inscrição no contexto de outras e possíveis interpretações

Vejamos agora o que refere a inscrição e alguns exercícios de interpretação.

Vou socorrer-me de um desenho que me pareceu particularmente legível, recolhido do artigo de Maria João Santos - Lusitanos y Vettones en la Beira Interior portuguesa [6].

Inscricao_desenho.jpgFigura 7 – Desenho da inscrição

Observa-se de imediato que ocorreu uma quebra na rocha que destruiu parte do texto na zona inferior.

Pode ler-se:

OILAM. TREBOPALA.

INDI. PORCOM. LA(B)BO.

COMAIAM. ICCONA. LOIM

INNA. OILAM. VSSEAM.

TREBARVNE. INDI. TAV.ROM./ IFADEM [...?]

REVE. TRE [...]

 

Qual o significado da inscrição?

Este texto tem sido amplamente debatido quanto ao seu significado sendo conhecidas diversas interpretações. No estudo de Ana Margarida Gonçalves Miguel, As epígrafes em língua lusitana [7] são apresentadas várias dessas propostas. É feito um exercício semelhante nas principais inscrições conhecidas de outros locais, especificamente Lamas de Moledo (Castro de Aire / Viseu), Arronches (Portalegre) e Arroyo de La Luz (Cáceres).

Localizacao_inscricoes.JPGFigura 8 - Localização das inscrições - sobre um mapa dos povos peninsulares antes da ocupação romana retirado da referência [7].

Se bem que não seja o foco desta publicação, refiram-se algumas características gerais das outras inscrições. No Anexo 2 poderá ver o seu aspeto:

  • Lamas de Moledo; Tem uma texto com claras influências romanas; parece tratar-se de ofertas a duas divindades (CROUGEA e IOVEA) por parte de duas pessoas (RUFINUS e TIRO);
  • Arronches; A inscrição mais recentemente descoberta (primeiro estudo publicado em 2008) e por isso a menos estudada; o texto encontra-se muito degradado; Será uma descrição de ofertas a divindades (HARASE, BROENEIA, REVE, BANDI, MVNITI, CARIA/CARLA, ICCINUI);
  • Arroyo de La Luz; Havia mais do que uma pedra, supondo-se que faziam parte de um mesmo texto; as pedras desapareceram no início do século XIX. Os estudos têm sido feitos com base num desenho com as limitações inerentes; Pode tratar-se também da descrição de uma oferta a um deus (CARLA), se bem que tal seja menos claro que nos outros textos;

Como exemplo de interpretação do texto de Cabeço das Fráguas, vou apresentar uma proposta mais, não por a considerar melhor, mas para ilustrar o tipo de raciocínio seguido, neste caso a perspetiva de José Cardim Ribeiro, publicada no seu artigo ‘DAMOS-TE ESTA OVELHA, Ó TREBOPALA!’ [2].

Este autor como aliás a generalidade dos estudos que li, tem em conta propostas de interpretação anteriores. Um dos temas alvo de debate tem a ver com a forma / declinação em que o texto se encontra. Se o texto ou palavras específicas, por exemplo, estão na forma “acusativa”, “dativa”, etc (quem teve alguma formação em latim terá memória destes conceitos). Na verdade os textos nesta língua são tão escassos que não se conseguiram ainda estabelecer que regras gramaticais teria. As variantes de declinação possíveis “veem” o mesmo texto sobre diferentes perspetivas. Alguns estudiosos interpretam o texto como uma lista de compromisso de oferta aos deuses. No caso deste autor, propõe que o texto esteja na forma vocativa, ou seja , está em discurso direto, como se de uma reza se trate, apresentando aos deuses as ofertas.

Concorda com a generalidade dos outros autores de que a partícula “Indi” correponderá à nossa conjunção copulativa “e”.

A sua proposta de interpretação é a seguinte – o que surge entre parêntesis reto estará implícito – o que surge entre parêntesis curvos são os termos do texto original:

[Damos-te esta] ovelha (oilam), [ó] Trebopala, e [damos-te] este porco (porcom), [ó] Labbo! [Damos-te] esta comaia (Nota 1), [ó] Iccona Loiminna! [Damos-te] esta ovelha (oilam) ussea (Nota 2), [ó] Trebarune, e [damos-te] este touro (taurom) consagrado (ifadem), [ó] Reve Tre…

Teríamos portanto como deuses e eventualmente seus epítetos:

Trebopala

Labbo

Iccona Loiminna

Trebarune

Reve Tre…

Não vou comentar esta interpretação nem nenhuma outra (Nota 2), por não ter competências para tal, mas também porque, felizmente, não é relevante para a proposta que farei mais adiante. Apenas sublinho que é fácil encontrar outras prespetivas na internet (nos artigos que especificamente refiro ou noutras buscas que o leitor pode fazer por exemplo no sítio www.academia.edu ).

Farei apenas uma suposição sobre a razão da denominação do deus “Labbo” com dois “BB” seguidos, que em transcrição latina não seria necessário. Pode ter uma explicação muito simples. Quando o primeiro “B” foi gravado, pode ter rachado a superfície e impedido que a gravação ficasse bem. Isso levaria o gravador a repetir a sua escrita. Nesta hipótese, boa parte dos danos que se observam agora, seriam danos desde sempre presentes.


Nota 1 – Este autor não propõe uma tradução para estes termos “comaiam” e “usseam”. Outros autores propõem “vaca” e “de um ano” (ovelha) respetivamente.

Nota 2 – Constatei em muitas páginas na internéte, como por exemplo na Wikipedia ( https://pt.wikipedia.org/wiki/Cabe%C3%A7o_das_Fr%C3%A1guas ), a seguinte interpretação, referindo ser “uma das traduções mais consensuais”. Porém nem na Wikipedia nem nas outras páginas encontrei um artigo que sustentasse essa afirmação. O que constatei pelo contrário foi que estamos longe de consensos. De qualquer forma aqui a transcrevo e agradeço se algum leitor me informar de qual estudo a defende:

A Trebopala uma ovelha e a Laebo um porco, a Iccona Loiminna uma vaca,
a Trebaruna uma ovelha de um ano, e a Reva Tre-(?) um touro de cobrição

 

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Proposta de identificação de um dos deuses

Irei por último apresentar uma hipótese para a identificação de um dos deuses mencionados, o deus La(b)bo, que ocorre apenas em Cabeço das Fráguas.

Penso que ficou claro que há um debate em aberto sobre a intrepretação de todas as inscrições conhecidas nesta língua. Os diversos textos têm algumas palavras comuns, mas muito poucas, o que dificulta a valorização das várias hipóteses. O mesmo sucede com as referências a deuses.

No que se refere ao Cabeço das Fráguas, poderemos ver que REVE e Iccona possam corresponder a REVE e Iccinui de Arronches e no segundo com dúvidas. Mais nada. À primeira vista parece que os deuses eram muitos, como se cada tribo pudesse ter deuses específicos, ou pelo menos denominações específicas.

Numa publicação anterior assumi como muito provável que o deus fenício Ilib tivesse originado o topónimo Ílhavo, curiosamente a partir de uma localidade próxima, Vale de Ílhavo. Vale de Ílhavo será a evolução fonética de Baal Ilib. Se tiver curiosidade em ler mais detalhes desta argumentação, sugiro que leia essa publicação, ou a síntese que faço no Anexo 1.

Ilib era um deus muito importante do panteão fenício. Velava pela família e pelos antepassados. Quando os povos do nosso território interagiram com os comerciante fenícios, sem dúvida que a devoção aos antepassados já existia. Mas este povo aqui chegado, era tecnologicamente e culturalmente muitos mais evoluído. Traziam novas práticas como por exemplo de construção e de tratamento de metais. A tecnologia do ferro terá chegado com eles, ou sido no mínimo muito desenvolvida. Trouxeram também os seus cultos e terá havido uma misceginação com os cultos existentes. A adoção de Ilib, a denominação fenícia, para o deus dos antepassados, terá sido relativamente simples, criando através disso um mecanismo de reconhecimento mútuo. Realizar uma cerimónia de culto de caráter recorrente, por exemplo anual, envolvendo ambos os povos, incluindo por exemplo uma refeição partilhada, seria um evento que promovia o estreitamento de laços e a renovação de pactos de cooperação, com realce para os pactos comerciais.

Comentei então que, a confirmar-se esta hipótese, dada a relevância desse deus, seria estranho que não houvesse outros topónimos, com essa raiz, que tivessem persistido.

De facto, noutra publicação, considerei haver uma grande probabilidade dos topónimos Vale de Lobo corresponderem a outra evolução fonética.

Aparentemente para lá das consoantes “L” e “B” que permaneceram, assumia-se que o som “o” final seria também uma marca fonética dos povos que aqui habitavam.

Ora o deus La(b)bo possui todas essas características.

Será muito provavelmente a denominação que existiu, na evolução de Ilib para Lobo.

Ou seja, Ilib => Ilibo => Libo => Labo (época romana) => Lobo (adoção do português)

 

Considero curioso que esta inscrição esteja relativamente próxima do Vale da Senhora da Póvoa, antigamente chamada Vale de Lobo. Curioso é também constatar que muito próximo se encontram diversas outras localidades cujos topónimos, na minha opinião, parecem ter origens fenícias.

Mas isso procurarei abordar em futura publicação…

 

 

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Em jeito de síntese

O Cabeço das Fráguas é um local de devoção muito antigo, bastante anterior à ocupação romana, tendo prolongado o seu uso até à referida ocupação, altura em que terá sido feita a inscrição que é objeto central desta publicação.

A inscrição foi feita em caracteres latinos, mas na língua do povo que ocuparia a região e que seriam os lusitanos. Outras inscrições são conhecidas nesta língua, mas são escassas. Apesar das dúvidas que persistem, existe a convicção de que a maioria delas e a de Cabeço das Fráguas em particular, descreve ofertas sacrificiais de animais a deuses do panteão dos Lusitanos.

Um dos deuses, referido como La(b)bo, será, no meu entender o mesmo deus que originou o topónimo Ílhavo (Vale de Ílhavo) e Vale de Lobo, como é o caso da localidade atualmente chamada Vale da Senhora da Póvoa, não muito distante do Cabeço das Fráguas.

Seria o deus fenício Ilib, protetor da família e dos antepassados, um dos deuses com maior devoção pelos fenícios.

Os laços comerciais e culturais estabelecidos com os lusitanos nos portos em que acostavam, teriam levado à adoção deste nome que velava por um culto aos antepassados que seguramente já estava estabelecido, mas que através destes contactos terá possivelmente evoluído.

No litoral, onde os contactos se estabeleciam, este culto partilhado pode mesmo ter servido como forma de ligação entre as duas culturas em cerimónias e banquetes rituais, envolvendo os dois povos, através dos quais se renovavam os pactos de convivência e se reviam aspetos tão básicos como os valores das trocas de bens.

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Referências

[1] Santos, Maria João Correia| Schattner, Thomas G - O Santuário do Cabeço das Fráguas através da arqueologia – Iberografias 6 – 2010
https://www.academia.edu/428377/O_santu%C3%A1rio_do_Cabe%C3%A7o_das_Fr%C3%A1guas_atrav%C3%A9s_da_arqueologia?sm=b

[2] Ribeiro, José Cardim - ‘DAMOS-TE ESTA OVELHA, Ó TREBOPALA!’ - A INVOCATIO LUSITANA DE CABEÇO DAS FRÁGUAS (PORTUGAL) – Conimbriga – 2018
https://www.academia.edu/81652959/_Damos_Te_Esta_Ovelha_%C3%93_Trebopala_a_Invocatio_Lusitana_De_Cabe%C3%A7o_Das_Fr%C3%A1guas?sm=b

[3] Santos, Maria João Correia - O Cabeço das Fráguas e a concepção de espaço sagrado na Hispania indo-europeia – Iberografias 6 – 2010
https://www.academia.edu/428379/O_Cabe%C3%A7o_das_Fr%C3%A1guas_e_a_concep%C3%A7%C3%A3o_de_espa%C3%A7o_sagrado_na_Hispania_Indo_europeia?sm=b

[4] Schattner, Thomas G. - Breve observação sobre a representação processional no ocidente hispânico – Iberografia 6 – 2010
https://www.cei.pt/pdfdocs/edicoes/iberografias_6.pdf
NOTA: Este documento integra outros artigos entre os quais [1] e [3]

[5] Prosper, Blanca Maria - THE INSCRIPTION OF CABEÇO DAS FRÁGUAS REVISITED. LUSITANIAN AND ALTEUROPAÈ ISCH POPULATIONS IN THE WEST OF THE IBERIAN PENINSULA - University of Salamanca – 1998
https://www.academia.edu/15117471/The_inscription_of_Cab%C3%A9%C3%A7o_das_Fraguas_revisited_Lusitanian_and_Alteurop%C3%A4isch_populations_in_the_west_of_the_Iberian_Peninsula?sm=b

[6] – Santos, Maria João - Lusitanos y Vettones en la Beira Interior portuguesa:La cuestión étnica en la encrucijada de la arqueología y los textos clásicos - Instituto Arqueológico Alemán de Madrid – Data ????
https://www.academia.edu/414026/Lusitanos_y_Vettones_en_la_Beira_Interior_portuguesa

[7] – Miguel, Ana Margarida Gonçalves - As epígrafes em língua lusitana - Memórias escritas da língua e da religião indígena – Universidade do Porto / Faculdade de Letras – 2013
https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/72404/2/28609.pdf

 

Anexo 1 – Resumo de análises anteriores a topónimos que podem ter derivado de Ilib

Numa publicação anterior mostrei que a frequência do topónimo “Vale” em Portugal, não está relacionada com a topografia das regiões. Temos por exemplo uma grande concentração desses topónimos no Baixo Alentejo e muito poucos em Trás-os-Montes. Isso leva a supor que a sua origem possa decorrer de outras fontes e coloquei a hipótese da origem fenícia por devoção ao deus Baal. Essa influência terá tido o seu auge por volta do século VI antes da nossa era e séculos imediatamente seguintes, coincidindo com o início da idade do ferro neste nosso espaço geográfico, que poderá ter sido iniciado, ou no mínimo dinamizada através das redes comerciais que os fenícios desenvolveram.

Fiz depois, numa segunda publicação uma análise mais específica sobre a possibilidade do topónimo “Vale de Ílhavo”, junto a Ílhavo (próximo de Aveiro), poder decorrer da evolução de “Baal Ilib”, conjunção de nomes de dois dos principais deuses do panteão fenício. Baal, deus da vida e das tempestades e Ilib deus guardião da família, da tribo e dos antepassados. O facto desse ser um local onde existe uma tradição de uma muito antiga romaria de Nossa Senhora do Rosário na capela da Ermida, suporta essa possibilidade. Mostrei ainda que há vários outros topónimos muito perto de Vale de Ílhavo, como Moitas e Boco, que são coerentes com a mesma origem e devoções.

De seguida, numa terceira publicação, mostrei que em muitos outros locais do país pode ter ocorrido uma influência idêntica, dos mesmos deuses Baal e Ilib, mas que seguiram uma evolução fonética mais extensa e produziram Vale de Lobo. Algumas situam-se também perto do litoral como Ílhavo, mas outras ocorrem bem no interior, o que apenas se justificaria pelo facto das tribos adotarem essas devoções como suas. Em particular expliquei como a devoção a Nossa Senhora da Póvoa, uma das romarias mais importantes da Beira Baixa, ocorrer precisamente na antiga localidade de Vale de Lobo que há cerca de um século mudou de nome para Vale da Senhora da Póvoa. E salientei aí também as correspondências de topónimos com algumas semelhanças do que observamos em Vale de Ílhavo.

 

Anexo 2 – Imagens das outras inscrições referidas nesta publicação

Imagens recolhidas de As epígrafes em língua lusitana [7], da autoria de Ana Margarida Gonçalves Miguel.

Inscricao_Lamas_de_Moledo.jpg
Figura A2-1 - Epígrafe de Lamas de Moledo (rochedo protegido por um telheiro de construção recente)

 

Epigrafe_Arronches.jpg
Figura A2-2 - Epígrafe de Arronches – Encarnação, J.; Carneiro, André; Oliveira, J. de; Teixeira, Cláudia.

Uma inscrição votiva em língua Lusitana. Palaeohispanica 8, 2008

Epigrafe_Arroyo_de_La_Luz_I_II.jpg
Figura A2-3 - Desenhos das epígrafes de Arroyo de La Luz I e II – publicados por Juan Masdeu em 1800

 

Epigrafe_Arroyo_de_La_Luz_III.jpg
Figura A2-4 - Desenhos da epígrafe de Arroyo de La Luz III segundo Almagro Gorbea em 2003

 

 

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