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Possíveis origens fenícias de topónimos do nosso território

Terceira parte – Outras possíveis invocações de Baal e Ilib

por Lourenço Proença de Moura, em 11.10.20

Nossa_Senhora_da_Povoa_data_desconhecida.jpg
Nossa Senhora da Póvoa - Celebração religiosa - Data desconhecida
Fotografia retirada do sítio Capeia Arraiana (onde o leitor poderá ver outras fotos muito interessantes)

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Introdução

Nas duas últimas publicações procurei mostrar que existem fortes indícios de que, o nosso território, antes da influência romana, terá passado por um período razoavelmente longo de fortes influências fenícias, as quais terão sobrevivido em alguns nomes de terras / topónimos e cultos religiosos.
Mostrei como Vale de Ílhavo, junto a Aveiro se enquadra nessa hipótese.
Nesta publicação explico como o mesmo tipo de influências e culto parece ter-se espalhado um pouco por todo o país, mas sobretudo na faixa Beira Litoral - Beira Alta - Beira Baixa.
 
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Se bem que neste tipo de análises nunca se possa estar cem por cento seguro, os resultados do estudo exposto na publicação anterior sobre a possível origem do nome Vale de Ílhavo deixou-me bastante confiante sobre a correção dessa hipótese. Porém uma dúvida surgia:

- Se estes dois deuses Baal e Ilib tinham assim tantas devoções, não seria lógico que devêssemos encontrar outras terras com nomes deles derivados? “Vale de Ílhavo" em Portugal há apenas um e numa primeira fase não encontrei nomes que lhe fossem próximos.

Curiosamente não passaram muitos dias até que, das minhas memórias de beirão, nado e criado na Cova da Beira, me ocorreu uma associação relativamente simples e que aos poucos me convenceu de que seria a possível resposta à questão anterior.

Uma das maiores romarias da minha região é a do Vale da Senhora da Póvoa. Mas eu lembrava-me que esta localidade tinha um outro nome mais antigo, “Vale de Lobo”. Na verdade, numa época não muito distante, em 1957, adotou o nome atual. Será que o topónimo antigo “Lobo” poderia ser um outro derivado de “Ilib”? Se virmos a evolução proposta para o caso de Ílhavo, constatamos que é uma variante bastante direta.

Algo como: Ilib => Ilibo => libo => lobo

Em Ílhavo, terra do litoral, ligada ao mar, terá evoluído para uma palavra com sonoridade próxima de algo conhecido, neste caso “ilha”. Já no interior, a evolução seguiu um outro significado, igualmente reconhecido pela população, neste outro caso “lobo”.

Temos portanto mais uma vez esta denominação associada a um local de romaria. No caso, uma romaria muito relevante mesmo atualmente. É na verdade um sinal bastante relevante para reforçar a hipótese que aqui defendo, mas mais uma vez poder-se-ia argumentar tratar-se de coincidência. Para lhe dar mais força era necessário encontrar outros “sinais” que a reforçassem.

A pesquisa que fiz foi baseada em três tipos de fonte:

- o que é possível observar através da aplicação Google Maps;

- em leituras encontradas na internet;

- na monografia de António Cabanas sobre o Vale da Senhora da Póvoa [5].

Seria muito importante fazer uma pesquisa no local, em busca de outros nomes que pudessem interessar, por exemplo nomes antigos de caminhos, fontes, rios, que pudessem derivar das mesmas origens antigas. Mas até ao momento tal não me foi possível.

Da pesquisa no Google Maps resultou desde logo uma constatação muito significativa. Junto ao Vale da Senhora da Póvoa, um pouco a norte, temos a localidade da Moita. Trata-se de uma associação idêntica à que encontramos em Vale de Ílhavo. Como expliquei nesse caso, esta associação não deve surpreender. Também aqui teríamos devoções ao deus da vida Baal e a Mot, o deus da morte. Considero curiosa uma referência que António Cabanas faz na sua monografia. Segundo ele, na Moita ainda se diz que a Senhora da Póvoa lhe pertencia outrora. À luz do que aqui proponho, haverá um fundo de verdade, mas algo distinto. Da mesma forma que o povo se deslocava a Vale de Lobo para prestar culto ao deus da vida, o mesmo povo iria à Moita, prestar culto ao deus da morte. Não sabemos que formas tinham estas devoções, mas como comentei, provavelmente seriam semelhantes às atuais romarias. Não seria de estranhar que houvesse símbolos de ambos os deuses nas duas romarias, pelo que poderia até suceder que esses símbolos passassem nesses momentos de comemoração de uma terra para a outra. O mito da luta entre ambos poderia ser teatralizado, no verão comemorando-se a vitória da vida e das colheitas e no inverno a vitória da morte, quando a vida parece ter sido interrompida [3].

Localizacao_Vale_da_Senhora_da_Povoa.JPGFigura 2 - Localização da aldeia e santuário do Vale da Senhora da Póvoa - antigo Vale de Lobo - e Moita (Google Maps)

Salientaria ainda por último um aspeto particularmente curioso. À luz da proposta que aqui defendo, é possível entender o sentido de uma quadra de significado misterioso do cancioneiro da Senhora da Póvoa (existe uma quadra semelhante na Senhora do Almortão). De acordo com a transcrição da monografia de António Cabanas, reza assim:

Nossa Senhora da Póvoa,
- Olhai o que diz o mundo!-
Que detrás do Vosso altar
Está um poço “de sem” fundo.

Qual a razão para se mencionar um “poço sem fundo”? Tanto quanto li nunca se conseguiu encontrar uma explicação satisfatória, quer na vertente religiosa como a nível de tradições locais.

Porém, no contexto que estou a propor, surge uma resposta bastante direta. O deus Mot é o senhor do mundo subterrâneo. De acordo com os relatos fenícios conhecidos, o seu trono é precisamente um poço profundo / sem fundo [3, página 81]. Não conheço o lugar da Moita, mas a ser esta hipótese correta, deveria haver um poço, ou uma mina, junto ao local de culto, que seria o lugar simbólico onde esse deus habitava e onde muito provavelmente lhe eram feitas ofertas. Note-se que à semelhança do Vale da Senhora da Póvoa, o local de culto poderia situar-se fora da localidade, por exemplo no Terreiro das Bruxas.

Como nota de curiosidade, acrescentaria que a quadra equivalente na Senhora do Almortão, em que se refere uma fonte, em vez de um poço, deverá ter sido uma adaptação desta, pois constata-se que os cancioneiros replicam os cantares uns dos outros, adaptando-os ao seu contexto.

 

Outros topónimos em Portugal denominados Vale de Lobo

A denominação Vale de Lobo, ao contrário de Vale de Ílhavo, leva-nos a supor, mesmo para quem não conheça bem o país, que poderá haver mais locais com este nome. Um dos que facilmente vem à ideia de um cidadão português é o do empreendimento turístico com esse mesmo nome no Algarve.

Mas quantos poderemos encontrar realmente?

Numa pesquisa feita mais uma vez nos registos de códigos postais dos CTT, encontram-se doze referências “Vale de Lobo” ou equivalentes (Lobos/Lobas), a que estão associados códigos postais, ou seja, são habitados. Poderá haver bastantes mais em locais inabitados.

Aproveitaria este ponto para apresentar mais uma breve reflexão. Na verdade, denominar uma terra de Vale de Lobo não é muito lógico. O ser humano ancestralmente tinha medo deste animal que respeitava. Mas esse medo era acentuado pelo fato de os lobos caçarem quase sempre em alcateia. Lobos solitários são raros. Se uma região fosse conhecida por nela haver lobos, teria decerto essa denominação no plural “Vale de Lobos”. Seria pois de esperar que houvesse mais terras com este nome no plural do que no singular. Porém não é isso que sucede. Na referida pesquisa encontram-se sete “Vale de Lobo” e quatro “Vale de Lobos/Lobas”. Mais uma vez, parte da explicação para esta situação estranha pode ter a ver com as razões expostas nesta análise.

A tabela 2 apresenta as doze referências “Vale de Lobo” identificadas a que se acrescenta Vale da Senhora da Póvoa que também teve esse nome e Vale de Ílhavo.

A figura 3 mostra as suas posições geográficas.

Localizacao_Vale_de_Lobo.jpg

Figura 3 - Posições das localidades Vale de Lobo correspondentes às referidas na Tabela 2

Tabela 2.jpg

Tabela 2 - Referências “Vale de Lobo” a que se acrescenta Vale da Senhora da Póvoa que também teve esse nome e Vale de Ílhavo.

Analisando a dispersão deste topónimo “Vale de Lobo” salientaria dois aspetos:

- O seu maior número em zonas relativamente perto do litoral ao longo de quase toda a costa; Este aspeto é relevante, pois um topónimo associado a “lobos” deveria ser mais relevante no interior, até porque antigamente haveria uma maior homogeneidade da distribuição das tribos pelo território não tão concentrada no litoral como nos tempos atuais;

- Uma maior concentração na zona de Aveiro, a qual de certa forma se parece ter expandido para o interior; Este aspeto é também interessante. Parece indicar que por alguma razão houve nesta região uma maior permeabilidade a estas influências e cultos. Poderia estar associado a uma ou mais tribos que ocupariam este espaço fazendo entre si trocas comerciais e partilhando influências culturais.

Mas importa neste ponto sobretudo aferir, se estes outros 12 topónimos ainda não comentados, poderão também mostrar formas de influência semelhantes a Vale de Ílhavo e Vale da Senhora da Póvoa / Vale de Lobo. A abordagem foi a mesma já atrás referida, tendo cada local sido classificado num fator que denominei “Probabilidade de origem fenícia”.

Atribui-lhe uma classificação de 1 a 5, com base num conjunto de critérios que explico no Anexo 1.

Em síntese o resultado encontra-se na tabela seguinte.

Tabela 3_Simplificada.JPG
Tabela 3 - Referências Vale de Lobo / Vale de Ílhavo com e de probabilidade da origem fenícia do topónimo

 

O que podemos constatar desta breve análise?

Dos catorze topónimos analisados, sete têm a classificação mínima, ou seja não se identificaram associações relacionadas com este âmbito de pesquisa. A maioria destes está em locais bastante isolados, onde poderá ter sido efetiva a associação a lobos. Mas poderão igualmente ser antigos locais de culto que foram posteriormente abandonados. Esta forma de análise suportada essencialmente por pesquisas na internet é pouco eficaz sobretudo em locais deste tipo, em que até podem existir referências interessantes apenas conhecidas dos habitantes, mas que não estão traduzidas em informação digitalizada.

Já no caso mais conhecido, associado ao empreendimento turístico junto a Almancil, o que temos é uma urbanização intensa que pode ter eliminado anteriores denominações.

Dos sete restantes, dois são os já abordados Vale de Ílhavo e Vale de Lobo / Vale da Senhora da Póvoa.

Temos portanto outros cinco locais em que se identificam relações que considero relevantes:

1            Vale do Lobo     São Pedro de Castelões - Aveiro

2            Vale do Lobo     Aguada de Cima - Aveiro

9            Vale das Lobas Pombal - Leiria

10          Vale de Lobos   Un. Freg. Almargem do Bispo, Pêro Pinheiro e Montelavar - Lisboa

12          Vale do Lobo     Un. Freg. São João do Monte e Mosteirinho - Viseu

 

Em síntese, dos 14 locais, encontramos mais cinco com boas probabilidades de estarem associados a evocações de Baal Ilib, ou seja, um total de sete.

Trata-se de uma correlação bastante forte, que muito dificilmente será fruto do acaso.

 

Conclusões

Em jeito de conclusão, a minha tese é pois a seguinte:

- Ao longo de vários séculos antes da era cristã, presumivelmente iniciando-se no século oitavo antes de cristo, os mercadores fenícios navegaram nas nossas costas, criaram em alguns casos entrepostos comerciais, estabeleceram acordos com os povos que habitavam o litoral da península ibérica, tendo chegado à latitude de Aveiro;

- A sua influência foi tão forte que esses povos absorveram a sua cultura, a sua língua e a sua religião, efeito esse que se projetou gradualmente para o interior do país, na adoção de nomes de terras e de ritos religiosos;

- Por razões que desconhecemos, mas porventura relacionadas com a estrutura de tribos da época, as influências relativas ao culto religioso em torno dos deuses Baal e Ilib foram particularmente significativas na região de Aveiro / Coimbra tendo-se prolongado pela beira interior;

- A influência da língua terá sido bastante ampla, sendo utilizada possivelmente como língua franca em algumas das tribos que habitavam o território. A esse propósito veja-se uma breve referência no Anexo 2.

- As devoções em particular aos deuses Baal, Mot e Ilib, levaram à criação de fenómenos religiosos de devoção, através de celebrações partilhadas entre os diversos povos, na forma de romarias, celebrações essas tão enraizadas nas tradições que ao longo dos séculos sobreviveram nos gestos essenciais, adaptando-se ao longo dos tempos às influências das diversas “religiões oficiais” que as envolveram.

- Esta análise focou-se em Baal Ilib – topónimos “Vale de Lobo” e suas variantes. Em Portugal há uma muito grande quantidade de outros topónimos que simplesmente se denominavam “Vale”, ou que estão associados a outras referências mas que não são explicados pela orografia do terreno, como mostrei na estatística geral. Poderá haver aqui outras hipóteses de estudo neste mesmo âmbito de influências fenícias.

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Anexo 1 – Critérios e forma de classificação da probabilidade de origem fenícia do topónimo

Tiveram-se em conta os seguintes critérios:

- Caso junto a esse local existam um ou mais topónimos que poderão também ter essa origem:

- Um ponto adicional se for identificado um;

- Dois pontos adicionais se for identificado mais do que um;

- Caso junto a esse local exista um espaço de culto tradicional relevante:

- Um ponto adicional se for uma festa anual tradicional simples;

- Dois pontos adicionais se for uma romaria com muito significado regional.

O resultado desta análise é apresentado na tabela seguinte.

Tabela 3.jpg

Tabela A.1 - Referências Vale de Lobo / Vale de Ílhavo com análise de probabilidade da origem fenícia do topónimo

 

 

1 - Vale do Lobo - São Pedro de Castelões, Vale

1 - Vale do Lobo - São Pedro de Castelões - Vale de Cambra      Aveiro

 

2 - Vale de Lobo - Aguada de Cima.jpg

2 - Vale do Lobo - Aguada de Cima         - Águeda - Aveiro

 

3 - Vale do Lobo - Préstimo - Águeda.jpg

3 - Vale do Lobo - União das freguesias do Préstimo e Macieira de Alcoba – Águeda - Aveiro

 

4 - Vale de Lobos - Castelo de Paiva Aveiro.jpg

4 - Vale de Lobos – Real - Castelo de Paiva - Aveiro

 

5 - Vale de Lobo - Cedaes - Mirandela - Braganca.j

5 - Vale de Lobo - Cedães – Mirandela - Bragança

 

6 - Vale de Lobo - Poiares - Coimbra.jpg

6 - Vale do Lobo - Poiares (Santo André) - Vila Nova de Poiares - Coimbra

 

7 - Vale de Lobo - Marmelete - Monchique - Faro.jp

7 - Vale de Lobo             - Marmelete – Monchique - Faro

 

8 - Vale de Lobo - Almancil - Loule.jpg

8 - Vale de Lobo             - Almancil – Loulé - Faro

 

9 - Vale das Lobas - Pombal.jpg

9 – Vale (Olival) das Lobas – Pombal – Pombal - Leiria

 

10 - Vale de Lobo - Almargem do Bispo - mais ampli

10 - Vale de Lobo - Almargem do Bispo.jpg

10 - Vale de Lobos - União das freguesias de Almargem do Bispo, Pêro Pinheiro e Montelavar – Sintra - Lisboa

 

11 - Vale de Lobos - Sabacheira - Tomar V2.JPG

11 - Vale de Lobos – Sabacheira – Tomar - Santarém

 

12 - Vale de Lobo - Sao Joao do Monte - Tondela V2

12 - Vale do Lobo - União das freguesias de São João do Monte e Mosteirinho – Tondela - Viseu

 

Localizacao_Vale_da_Senhora_da_Povoa.JPG

13 - Vale de Lobo (Senhora da Póvoa) - Vale da Senhora da Póvoa – Penamacor - Castelo Branco

 

Posicionamento geografico Vale de Ilhavo.JPG

14 - Vale de Ílhavo - Vale de Ílhavo – Ílhavo - Aveiro

 

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Anexo 2 - Breves referências ao uso da língua fenícia no período romano

Em [1], página 148 por exemplo, Moisés Espírito Santo mostra como algumas aras votivas do tempo dos romanos, gravadas em caracteres latinos, transcreviam palavras que não eram latim, mas sim o fenício. Considero particularmente interessante a explicação para os diversos deuses “Banda” - por exemplo “BANDI ISIBRAIE”, “BANDOGA”, “BANDI OLIENAICO”, que segundo este autor, não são mais do que variantes de dedicatória em que o termo “BAND” corresponde a algo como “Para o” (dedicado a). Ou seja, os autóctones podiam obedecer aos romanos, mas não falavam latim.

Esta situação em que uma língua passa a ser foneticamente transcrita nos carateres originários de outra língua não é caso único. Por exemplo na península ibérica, nos séculos XIV e XV, surgiu o aljamiado, uma forma literária em que a língua era a castelhana, mas escrita em caracteres árabes – veja-se por exemplo [7], página 302.

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Referências e bibliografia

[1] Espírito Santo, Moisés - Fontes remotas da cultura portuguesa, Assírio e Alvim, 1989

[2] Espírito Santo, Moisés - Origens orientais da religião popular portuguesa, Assírio e Alvim, 1988

[3] Cassuto, U. (1962). "Baal and Mot in the Ugaritic Texts". Israel Exploration Journal. 12 (2): 81-83) (acessível via Jstor)

[4] Toorn, Karel van der, Becking, Bob, Horst, Pieter Willem van der - Dictionary of Deities and Demons in the Bible

[5] Cabanas, António - Vale da Senhora da Póvoa e a sua romaria – Edição do autor, 2016

[6] Carvalho, António Maria Romeiro – Toponímia do Concelho de Idanha a Nova – Edição do autor – 2017

[7] Rucquoi, Adeline - História medieval da península ibérica, Editorial Estampa, 1995

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2 comentários

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Paulo Moura a 10.10.2020

Bem interessante!
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Anónimo a 14.10.2020

Maravilha.. grande trabalho!

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