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Foto: O senhor Manuel Proença Rebelo lavrando a sua terra
LMCPM - 1982

Até um tempo relativamente recente, a grande maioria das pessoas cumpria o seu ciclo de vida quase sem sair da sua terra natal. Em Caria, como em todas as localidades do interior de Portugal, o dia-a-dia seguia as rotinas do tratamento da terra e do cuidar do gado. Se Deus Nosso Senhor assim o determinasse, recolheriam os frutos do seu esforço e assim sustentavam a sua família. As palavras ajustavam-se às necessidades e a fonética era o resultado de uma combinação de um caldo de cultura que veio de tempos remotos, recombinando-se em cada geração com o que de novo a sociedade ia propondo.

“As novidades”, sempre ocorreram em todas as épocas, mas o ritmo era muitíssimo menor do que atualmente. Com o evoluir dos tempos, sobretudo desde o final do século 19, tudo se alterou de forma progressivamente mais acelerada. A chegada do comboio, a abertura de estradas, o telefone, a rádio, a televisão, a mobilidade das pessoas para centros urbanos ou como emigrantes para “outros mundos” e, claro, as profundas mudanças sociais decorrentes da revolução de 1974, trouxeram uma avalanche de novos hábitos, novas práticas, tornando obsoletas e desnecessárias muitas das palavras que antigamente eram comuns.

Quem como eu nasceu e viveu a juventude numa pequena localidade como Caria até ao início da década de 1980, guarda na memória um mosaico único de palavras que constituía uma espécie de “impressão digital” da terra. Algumas das palavras são conhecidas um pouco por todo o país. Outras são mais específicas, em particular desta região da Beira Baixa. Não houve preocupação em distinguir quanto a esse aspeto, mas tão só registar os termos de uso comum - gíria da minha terra natal, até há cerca de 50 anos atrás.

Este levantamento teve como ponto de partida, para lá da memória pessoal, outros levantamentos disponíveis na internet, em particular dois que são identificados no final desta publicação.

 

Ti Maria

Numa gravação áudio de 1991, “Cantadeiras de Caria”, na altura vendida no suporte de fita das “velhinhas cassetes” hoje em desuso, Maria Alcina (ver breve nota biográfica no final desta publicação) assume a personagem “Ti Maria”, onde num delicioso monólogo com o ouvinte vai explicando como lhe está a correr dia. Usa como seria de esperar muitos dos termos deste glossário.

Pode escutá-la aqui.
Selecione "Download" na página que surge.

 

Sugestões

Todas as sugestões de revisão são bem-vindas. Agradeço que para tornar mais eficaz a comunicação, as sugestões sejam encaminhadas para o meu mail pessoal: lmcpm@sapo.pt

 

Glossário de termos regionais de Caria / Belmonte

 

A

Abalar - Partir, ir embora

Abano - Utensílio para atear a fogueira

Acagaçado – Com medo

Acartar – Carregar, transportar

Achanatar - Fazer à pressa

Acunapado - Mal remendado

Acusa-Cristos - Denunciante

Aforrar (as mangas) - Arregaçar

Alancar (com o saco às costas) – Aguentar o peso

Alacrário – Lacrau, escorpião

Alapado – Agachado, à espera, parado

Albarda - Sela rústica para animal de carga

Aldraba – Argola que fica do lado de fora da porta e que rodando faz abrir o trinco interno

Aldravada - Aldrabice

Amainar – Acalmar (muito usado referindo-se ao vento)

Amanhar (a terra) – Preparar a terra para o cultivo

Amargoso – Amargo

Amigar-se – Ir viver com a amante

Amochar – Aguentar um peso com resignação (com frequência associado a cargas físicas)

Amodorrado – Encolhido (por vezes associado a doença febril)

Amolancar / amolancado – Amolgar / Amolgado

Arreado – Vestido (possivelmente por associação jocoso aos arreios dos animais)

Arrelampado – Confuso, zonzo

Arreganhar (os dentes) – Atemorizar mostrando os dentes

Arreganhar (de frio) – estar a tiritar de frio

Arreliar - Provocar outro com o sentido de o irritar

Arremedar – Gozar com o outro, repetindo o que ele diz

Arrenegar – Esconjurar; Amaldiçoar

Arrocho – Pau curvo onde se penduravam os animais para ser desmanchado depois de morto

Arteiro – Vivaço (ex: Veio todo arteiro…)

Artolas – Mariola, armado em esperto

Atão – Então

Atazanar – Espicaçar / Enervar

Atiradeira – Fisga

Atoleimado – Tolo

Aventar – Deitar abaixo, deitar fora

Avesar / avesada (com isto) – Habituar / habituada (com isto); Ex: Avezamo-nos – Habituamo-nos

Asado – Ajeitado; Ter jeito

 

B

Bácoro – Porco

Badagaio (dar-lhe o) – Desmaiar, ir-se abaixo…

Badameco – Zé ninguém

Bandulho – Barriga (estômago)

Baraço – Novelo de corda

Barbeiro (estar um) – Estar frio

Barda (em) – Em grande quantidade

Bardamerda – (Mandar à) Merda

Barguilha – Abertura das calças

Barroco = Rochedo de granito de grandes dimensões (referido normalmente na sua localização natural)

Bate-cu – Cair de rabo no chão

Bedum - Sabor e cheiro do sebo na carne de borrego ou carneiro

Bento / Benta – Curandeiro, alguém que tem poderes de curar os males do espírito

Bica - Pão comprido e espalmado que se come pelos Santos feito com farinha triga e azeite; Servia de presente dos padrinhos aos afilhados. Fonte com água a escorrer por um tubo, telha, ou uma qualquer conduta que a faz sair da parede, muro ou tanque de onde a água provém.

Bichas – Lombrigas; verme parasita que por vezes se aloja no estômago e intestinos

Bisca – Jogo de cartas; “Bisca lambida” era um termo que derivaria da forma popular em que os jogadores humedeciam os dedos (lambiam) com saliva para melhor manusear as cartas, que se tornavam sujas e pouco higiénicas. Mas antigamente a higiene era um luxo e preocupação de poucos…

Bispo (entrou o) – A comida esturrou

Boa-vai-ela (andar na…) – Divertir-se, vadiar, sem grandes preocupações.

Bocachinho – Poucochinho, Bocadinho

Bôcho – Nome genérico para chamar um cão

Bodega – Coisa imunda

Boer – Corrupção de beber

Bofatada - corrupção de "bofetada"

Bofes – Pulmões

Bolacha / (andar à bolachada) - Sopapo / (andar à bulha dando sopapos)

Bolandas (andar em) – Andar em voltas complicadas

Bolir – (Mexer, incomodar)

Bonda (bem bonda) – Basta, já bem basta

Borco (de) – De barriga para baixo

Bordoada – Pancada com um pau (bordão)

Bornal - Saco em que se levam pertences ou a merenda. Saco com ração que se enfia no pescoço dos burros

Borra-botas – Pessoa sem posses a quem se pretende retirar qualquer valor

Borracho / Borrachana / Borrachão – Bêbado

Borralho – Braseiro na lareira

Borrega – Bolha de água na mão ou no pé

Botar – Deitar algo em algum lugar ou recipiente

Botelha - Cabaça, tipo de abóbora

Botica - Farmácia

Botifarra – Bota grosseira e grande

Braguilha – Abertura da frente da calça dos homens; equivale a “portinhola”

Braveira / apanhar uma... - Estar irritado e barafustar

Bromelho – Corrupção de Vermelho

Brusco (tempo…) – Tempo nublado, escuro, desagradável

Bucha – Bocado de pão com conduto

Bucho - estômago do animal (o termo pode ser aplicado ao nosso estômago - ex: enchi o bucho)

Bufa – Peido

Bulha – Zaragata

Búzio (o tempo estar... os olhos estarem...) - cinzento / enevoado

 

C

Cabeça de alho chôcho – Pessoa com pouco juízo

Cabo dos trabalhos – Expressão que se refere a algo que foi ou será muito difícil de fazer

Cachaporra – Pancada muito forte

Cachimónia – Cabeça (com o sentido de cérebro – pensar)

Cachopa / cachopo - Rapariga / rapaz

Caco (menino do…) – Menino mimado

Cagaço – Medo, susto

Caga-lume - Pirilampo

Cagança – Gabarolice

Caganeira - Diarreia

Caganeirento – Vaidoso

Caganito – Pequena quantidade de algo

Caguinchas - Medroso

Cagulo (de) – Estar cheio ao máximo (comida tipicamente – não se aplica a líquidos)

Calhoada – Pedrada

Calmeirão – Homem corpulento

Caluda! – Expressão para exigir silêncio

Cambada – Corja; Gente de má índole (aplica-se a um conjunto de pessoas e não individualmente)

Canalha – Crianças pequenas

Cantareira - Armário ou estrutura montada numa parede para colocar os cântaros, sobretudo os cântaros de água (quando a água era recolhida de fontes públicas ou naturais), mas também pratos e copos.

Cantilena - Cantiga

Caracho – Expressão de admiração; Equivale a Carago

Carago - Expressão de admiração; Equivale a Catancho e a um termo ainda hoje em uso com as mesmas duas sílabas iniciais.

Caramelo – Camada de gelo; frio intenso

Cardina - Bebedeira

Carrapato (=Encarrapato) – Carraça de pele lisa; Também se refere a alguém nú

Carrapicha (ir à) – Ir aos ombros (sentado nos ombros) de outro; Normalmente uma criança às carrapichas de um adulto

Carrapito – Arranjo de cabelo das senhoras em que o cabelo fica apanhado por trás e por cima (zona da coroa / occipital) formando um pequeno novelo

Carraspana – Bebedeira

Carrego (Um…) – Carga que seguia um padrão. Podia referir-se a um homem “levar um carrego às costas”, ou um animal, como por exemplo um burro

Carumba - Corrupção de "caruma", agulhas de pinheiro secas depois de cairem ao chão

Cascar (cascar em) - Bater em alguém

Castada - Corrupção de cacetada (pancada)

Casulo (do milho) - Interior da maçaroca

Catano – Expressão de admiração; Equivale a Carago

Catancho – Expressão de admiração; Equivale a Carago

Catita – Bem arranjado; Bonito

Catraio – Garoto

Catrapiscar – Piscar o olho a alguém

Catrefa – Grande quantidade (tipicamente quantidade de gente)

Cavalitas (andar às) – Andar às costas de alguém; tipicamente crianças

Catrino (ai o) – Desabafo; equivale a “Mas que raio!”; Equivale a Catano e Catancho

Chanato - Sapato

Chão – Pequena horta

Chambaril - Pau ou ferro para pendurar o porco após ser morto, para se proceder ao ato de o "desmanchar"; Equivale a arrocho

Chiba – corcunda

Chicha – febra

Chincar – Espetar

Chinfrim - Barulheira /algazarra

Chita - Ficar a zero, por exemplo num jogo / ter um péssimo resultado; "Não ser chita" corresponde por exemplo a não ficar a zero, não ter o péssimo resultado

Côca – Entidade perigosa que se nomeava para assustar as crianças com medo, para não fazerem algo ou não ir a determinado sítio (pois podia vir a côca)

Corricho - Porco

Cravelha – Lingueta (trinco) da porta

Conduto – Pedaço de comida de origem animal (carne, chouriço…) para comer

Cunapa – Remendo

 

D

Danado (estar) - Estar furioso;

Derrancado – Extenuado; De rastos

Desandador – Chave de fendas

Desenculatrado – Escangalhado

Desenxabido – Sem gosto

Desobriga – Confissão anual pela Quaresma (para cumprir o preceito – pelo menos uma vez por ano…)

Destrocar (dinheiro) – Trocar tipicamente uma nota de valor elevado por notas ou moedas de menor valor.

Diacho - Forma popular de referir o diabo; Exemplo: "Arre diacho!"; Segundo a tradição não se devem nomear de forma direta os "maus espíritos" pois eles podem acorrer ao nosso chamamento. Por essa razão foram criados diversas outras denominações para que "ele" não vir ao nosso encontro...

Doidana (estar numa) - Estar a comporatar-se de forma irracional

Doidivanas – Pessoa de vida desregrada

 

E

Emborcar – Beber de forma sôfrega

Empancar – Bater em algo que não deixa avançar ou não deixa abrir da forma normal (por exemplo uma gaveta)

Empanturrado – Cheio de comida até ao limite

Empanzinado – semelhante a empanturrado, mas mais associado a pão

Empata (um…) – Alguém que não se desenvencilha no que devia fazer e atrasa os outros

Empenado – Torcido, torto; Diz-se também de uma mesa ou banco em que as pernas não estão à altura correta, e fica a abanar facilmente

Empinar (bebida) - Beber até à última gota; Termo possivelmente derivado do gesto que será comum fazer de colocar o recipiente na vertical para que tal se faça

Empranhar – Corrupção de emprenhar; Ficar prenhe, grávida

Encafuado – Escondido, oculto; Aplica-se também na simples situação de estar na cama todo coberto com o lençol ou manta (encafuado na cama)

Encalacrado – Estar numa situação comprometedora, difícil de sair

Encarrapato – Nú

Encarrapitar – Colocar / colocar-se por cima, tipicamente numa posição não muito estável. Exemplo:  O senhor encarrapitou a criança aos ombros.

Enfarruscar / enfuscar - Sujar com cinza ou pó de carvão

Engonhar - Perder tempo

Enjorcado (mal) - Mal enjorcado = mal arranjado, normalmente referente a "mal vestido"

Enjorcar – Engolir de forma sôfrega

Ensertado – Já aberto (um invólucro que esteve fechado com alguma coisa – tipicamente comida, mas que entretanto alguém já abriu e gastou parte)

Entornado - Bêbedo

Esborralhar – Desmanchar (em partes pequenas)

Esbugalhar os olhos – Abrir muito os olhos (como bugalhos?)

Escanchar – Abrir, alargar, rachar (frase comum “escanchar as pernas” – estar de pé com os pés / pernas afastados

Escarafunchar - Revolver; Esgravatar

Escarcéu – Ruído; tipicamente gritaria

Escarranchado; Estar sentado de pernas abertas (por exemplo montado num animal)

Escarrapachado – Equivalente a escarranchado; Mas também se aplica a um texto, por exemplo de um edital, que se queira dizer que está bem à vista (possivelmente por associação malandra de quando uma mulher de saias está assim deixará algo bem à vista…)

Escava-terra (uma… feminino) – Toupeira

Escápulas – Cápsulas de medicamentos

Escorropichar – Beber até à última gota, deixando o líquido escorrer

Esgalhar – Cortar os galhos (ramos mais pequenos); Também se aplica com o significado de andar de depressa (andar a esgalhar, andar na esgalha)

Esgana – Doença dos cães que lhes afeta a respiração (Nota: Este termo é o usado pelos veterinários)

Esganar – Matar por asfixia; Estrangular

Esgolaimada – Mulher com camisa aberta à frente de forma exagerada tendo em conta as convenções (nos anos 1960 podia ser algo extremamente discreto aos olhos de hoje…)

Esgróviado – Tolo

Esguedelhado – Cabelo desgrenhado

Esmifrar (alguém) – Explorar alguém de forma abusiva; Ex: conseguir obter muitos bens / dinheiro dessa pessoa

Esmoer – Fazer a digestão

Estortegar – Torcer e danificar um membro – Ex: “Estorteguei um tornozelo” equivalendo a “torci / desloquei um tornozelo”

Espichar – Esguichar; Líquido que sai sob pressão de um orifício pequeno

Espinhaço / espinhela – Coluna dorsal

Espojar-se – Rebolar-se no chão e encher-se de pó / areia

Esquecido – Tipo de bolo regional achatado e redondo, com massa parecida com o pão de ló, mas seco

Estafermo – Pessoa de má índole

 

F

Farrusco - Estar enfarruscado; aplica-se também ao tempo atmofésrico com o sentido de nublado (equivale a "estar búzio")

Fedelho – Criança / miúdo (pejorativo)

Fraldisqueiro – Mal vestido

Fressura - Vísceras

Fumaceira – Fumarada / Muito fumo

Funda – Quantidade de azeite que se teve por uma quantidade de referência de azeitona (Ex: Um alqueire)

 

G

Gacho (de uvas) - Corrupção de "cacho"

Gadanha - Concha da sopa

Ganas – (dar nas ganas) Decidir-me a … (ter ganas) Ter vontade muito forte de…

Garruço - Gorro, caparuço

Gasganete – Goela / garganta

Gola – Goela / Garganta

Gosma (estar com a) – Estar com catarro

 

J

Jaja – Fato / Roupa

Javardo – Porco

Jeira - Parcela de terra que se consegue lavrar num dia pelos bois

 

L

Ladroeira - Ato de roubar (pode não ser o roubo de objetos, mas o de se vender a preço excessivo)

Lanho – Golpe / ferida

Lamúria – Choramingueira

Laréu (estar no) – Conversar (estar a)

Lavarinto (andar num) – Andar em grandes trabalhos e pressas, de um lado para o outro

 

M

Madeiro - Um único grande tronco de árvore, ou vários troncos de menor dimensão mas constituindo um volume igualmente considerável de madeira, o qual é ritualmente colocado a arder na véspera de Natal, numa praça central da localidade, procurando-se que a chama continue acesa até ao ano novo. Constitui um ponto de encontro das gentes da terra, sobretudo no final do dia, reconfortando-as da habitualmente gélida temperatura ambiente.

Mal-amanhado – Feito à pressa

Mal – enjorcado – Mal vestido

Malha (Levar uma) – Levar uma sova

Malina – Doença mortal epidémica (nos animais); muito frequente nos coelhos

Malmandado – Indivíduo desobediente

Malmurcho – Doença que murcha as plantas

Marrafa – Franja de cabelo comprida sobre a testa

Marrano - Porco

Matacão – Alguém corpulento e sem modos / abrutalhado

Matação – Matança do porco

Marreco – Corcunda

Mecha – Pedaço de pano que se põe a arder (exemplo: a tira que está embebida no petróleo – candeeiro de petróleo)

Medrar – Crescer

Melindrosa – Sensível / que fica facilmente afetada (por exemplo com doenças)

Mijinhas (às) – Aos poucos

Miminho do caco – Pessoa mimada

Mocho – Banco baixo e pequeno

Monca – Ranho (a pingar do nariz, ficando dependurado)

Mono – Amuado

Mordiscar – Pequena mordidela; Comer um pequeno pedaço de algo, tipicamente pão, cortando apenas com os dentes incisivos

Mosca-morta – Pessoa com pouca iniciativa

 

N

Nagalho – Pedaço de cordel

Nalgas – Nádegas

Nesga - Parte pequena de algo - exemplo: Uma nesga de terreno;
              "De nesga" - Estar de lado, estar de viés;
              "Bater de nesga" - Bater de raspão.

 

O

Ódespois / Osdespois – Equivale a “e depois…”

 

P

Panada – Pancada ; Exemplo: andar à panada – andar à pancada

Pantanas (ir de) - Cair

Pantominas – Trapalhão

Papo-seco - Pequeno pão de trigo, com uma forma peculiar, em que o padeiro batia com a mão no meio, em jeito de cutelo e puxava os extremos originando o que se denominava as "maminhas"

Pecarricho / Pequerricho - Pequeno

Pedrisco - Granizo

Pelainudo – Alguém com mau aspeto, mal vestido, desleixado

Peneiras / Peneirento – Vaidade / Vaidoso

Penicada - Fezes humanas

Penico - Esterco, estrume (para lá do habitual significado de recipiente próprio para se urinar e defecar)

Pentem – Corrupção de Pente

Pertelinho – Pertinho

Pincho – Trinco

Pindericalho – Algo pendente de pouco valor; Por exemplo uma bugiganga a fazer de colar

Pingarelho (armar ao) – Basófia

Pinoco – Marcador / pino (por exemplo um marco da estrada, ou um pino de um jogo da malha)

Pirisca – Parte final do cigarro, quase todo já fumado (os pobres apanhavam as piriscas dos outros e fumavam-nas)

Pita – Galinha

Pitrol – Petróleo

Poldras – Pedras que se colocavam nas ribeiras, afastadas um pouco umas das outras, mas permitindo passar a pé sobre elas sem se molhar

Portelo – Entrada da quinta

Portinhola – O mesmo que braguilha

Prantar – Colocar algo num sítio de forma muito exposta / que incomoda; Exemplos: “Prantaram-me aqui isto à porta!”; “Estás aí prantado a olhar para mim?”

 

Q

Quêdo – Quieto; Sossegado

Quelha – Viela estreita

Queimoso – Sabor do queijo picante

Quilhado – Prejudicado

 

R

Rabicho – Cabelo a fazer… “rabo de cavalo”

Ralado – Preocupado

Raimoso – Picante (ex: queijo)

Rebatinha (deitar à) – Deitar tudo de uma vez para quem quiser apanhar (quando alguém tinha por exemplo cromos de jogadores a mais que já não lhe interessavam, gerava alguma “festa” para os outros deitando-os ao ar e os outros corriam a apanhar)

Recusa (fazer) - Acusação, denúncia

Respigo – Pequena parte de um cacho de uvas

Roçar (o chão da casa) - Esfregar o chão da casa

 

S

Salvação (dar a) – Cumprimentar (quando se cruza com alguém)

Salta-roscas - Osga

Saraiva - Granizo

Sêmea - Pão de formato médio / grande, arredondado, com uma côr algo escura pois é / era feito com farinha de trigo pouco refinada (dizia-se ser de "farinha de 2ª")

Sobrado – Sótão

Soltura – Diarreia (= Caganeira…)

Somítico – avarento

Sopapo / andar à sopapada - bofetada / andar à bofetada

Sorna (ser um) – Preguiçoso

Sortes (ir às) – Ir fazer exame militar

Sumiço – Desaparecimento

Sucapa (à) - De forma a tentar passar despercebido

Sustância – Comida de maior riqueza proteica (ex: carne, peixe, ovos)

 

T

Tapada – Terreno agrícola com muro à volta

Tartulho – Tipo de cogumelo

Testo - Tampa da panela

Tinhoso – Nojento

Tomata - Corrupção de tomate

Topadela – Pancada imprevista com os dedos dos pés, a andar, tipicamente bastante dolorosa

Trambalazana – Brutamontes

Trambelho – Juízo

Trampa – Fezes

Trombas (andar de…) – Andar com cara de desagrado

Trouxe-mouxe – Feito rápido sem cuidado

Tuta e meia – Barato

 

U

Unto – Banha de porco

Úrsula – Corrupção de úlcera

 

V

Venda (a) – Pequeno comércio / mercearia

Veneta – Fúria

Vianda – Preparo de comida para dar aos porcos, tipicamente uma “sopa” com bastante água, legumes cortados e restos diversos de comida humana;

Vivo (O…) – Animais que se tratam. “Ir dar de comer ao vivo”, significa ir dar de comer aos animais. Porcos, coelhos, galinhas…

Vraveira (estar numa) – Estar bravo, irado – corrupção de “braveira”

 

X

Xé-xé – maluco

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Foram incluídas sugestões de:

Graça Neiva Correia Ribeiro
Dulce Pinheiro
José Joaquim Pinto de Almeida
Adozinda Pereirinha

 

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Breves notas biográficas da D. Maria Alcina.

Maria Alcina Cameira Franco Patrício (Caria 1920 – Lisboa 2012), dedicou boa parte dos seus estudos à música e às artes (Conservatório Nacional de Música; Escola de Artes António Arroio). Exerceu diversas atividades sobretudo relacionadas com o ensino de arte e desporto. Escreveu poesia. Teve intervenção política.

Manteve sempre um grande dinamismo demonstrando uma enorme alegria de viver, dinamizando ações na sua terra natal.

Criou o grupo Cantadeiras de Caria, o qual participou em eventos e festivais nacionais e internacionais.

Recebeu da câmara municipal de Belmonte a medalha de mérito municipal.

1985_Cantadeiras_2.jpg

Foto: Cantadeiras de Caria, cantando as Janeiras, em 1985
Maria Alcina surge com as mãos juntas, sensívelmente ao centro mas um pouco sobre o lado esquerdo
LMCPM - 1985

 

Agradeço aos filhos Albertina e António a concordância na divulgação da gravação aqui disponibilizada.

 

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Este levantamento consultou as seguintes páginas da internet. Aos seus autores, manifesto o meu reconhecimento.

Paulo Jesus - pj1966@sapo.pthttp://cidadedacovilha.blogs.sapo.pt/1820.html

Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa» - leitaobatista@gmail.com - https://capeiaarraiana.wordpress.com/category/o-falar-de-riba-coa/

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Breves reflexões sobre a origem do nome do arquipélago dos Açores

por Lourenço Proença de Moura, em 15.08.20

Mapa_Ilhas_terceiras_Lazaro_Luis_1563_Academia_das

E se o nome deste nosso território se devesse à devoção de um frade e a um simples mal-entendido?

Se o leitor ficou curioso com esta possibilidade, convido-o a acompanhar-me nestas próximas linhas.

Este tema está decerto no grupo de assuntos relacionados com a nossa História, que mais apaixonadamente tem sido alvo de debate, por historiadores ou simples curiosos como eu. Quase tudo terá já sido dito. Poderei dar algum contributo por mais pequeno que seja?

 

Como seria de esperar, há muita documentação coeva sobre “os descobrimentos” boa parte da qual apenas se pode consultar em arquivos de acesso restrito a estudiosos. Mas felizmente há imensa informação disponível na internet, sejam documentos digitalizados ou artigos de estudo. A Wikipedia por exemplo tem páginas interessantes centradas na vertente histórica. Nas referências incluo duas páginas, em português [1] e inglês [2] e que no que respeita à origem do nome curiosamente apresentam perspetivas um pouco diferentes.

Mas no essencial, como se poderá supor e conferir nas páginas citadas:

- há muitas fontes documentais antigas que referem o conhecimento de ilhas – algumas delas com nomes coincidentes com os atuais, antes da sua “descoberta” pelos portugueses;

- estudos recentes a nível da arqueologia indiciam a existência de estruturas de construção anteriores, mas não há ainda consenso sobre esta matéria;

- estudos igualmente recentes, de ADN, realizados em ratos, demonstraram existir ligações a antepassados de países nórdicos, possivelmente chegados em barcos, sendo coerente com a hipótese de terem chegado em embarcações viquingues.

Tal não deve surpreender nem pôr em causa nada de essencial no “nosso” mérito na arte da navegação e neste caso, no de conseguir povoar e tornar habitáveis estas remotas ilhas.

As breves reflexões que vou fazer focam-se em dois aspetos:

- O primeiro, é um singelo contributo para a denominação “Ilhas terceiras” que antecedeu a denominação atual e que durante alguns séculos conviveu com a nova identidade;

- O segundo, é uma proposta que penso ser original na defesa de uma das opções justificativas para o nome atual do arquipélago.

 

A denominação “Ilhas terceiras”

Não existe qualquer dúvida sobre este facto e o significado desta antiga denominação. Nas referidas páginas da Wikipedia tal é bem explicado. Correspondia à ordem de afastamento da costa. As primeiras eram as Canárias, as segundas o arquipélago da Madeira e finalmente as terceiras, os atuais Açores.

O belo mapa do cartógrafo português Lázaro Luís, datado de 1563 [15], de que retirei um detalhe para iniciar este texto e que aqui apresento noutra vista, é um bom exemplo desse posicionamento e da denominação.

Mapa_Ilhas_terceiras_Lazaro_Luis_1563_Academia_das

Mas a questão curiosa que aqui pretendo trazer é sobre o nome das ilhas, em particular da ilha Terceira. A explicação que mais frequentemente tenho ouvido e lido (por exemplo [2]) refere ter sido a terceira ilha a ser descoberta. Não me parece que faça sentido. O grupo central é constituído por 5 ilhas bastante próximas que terão sido “descobertas” praticamente em simultâneo.

Sucede que numa leitura casual, de um livro de ensino que foi publicado em Portugal em diversas edições entre o final do século 18 e o início do 19 – “Atlas moderno para uso da mocidade” [4], fui surpreendido com a leitura da descrição do arquipélago dos Açores. A imagem seguinte mostra essa explicação.

As_ilhas_dos_Acores.jpg

Está escrito num estilo comum na época, na forma de perguntas e respostas. Para a pergunta sobre quantas ilhas são, surge a resposta que logo ao início nos surpreende:

Nove, cujos nomes são:

- As duas Terceiras

- A Graciosa… e por ali continua.

Torna-se fácil de perceber que o Faial ainda não tem nome próprio nesta lista. O Faial é ainda uma “ilha Terceira”.

Note-se que o nome “Faial” já surge referido em descrições e mapas muito anteriores, como o já referido de Lázaro Luís. Mas o que esta descrição parece mostrar é que na verdade as ilhas apenas foram ganhando identidades oficiais à medida das necessidades. O Faial terá sido a última a ganhar a sua “alforria identitária”. A Terceira não precisou de o fazer. Se todas as outras tinham nomes próprios distintos dela, ela já não precisava de mudar. Ficou com o “nome da família”!

 

Vejamos agora o segundo tema - a questão da razão de ser do atual nome do arquipélago.

Nos tempos mais recentes o debate tem sido feito sobre três hipóteses [1]:

  • Dever-se à presença de milhafres identificadas de forma errada pelos marinheiros portugueses como sendo açores. Esta justificação é algo estranha pois há muitas diferenças quer físicas quer na forma de voar e naquela época esse era um conhecimento das gentes do povo; Porém, de facto muitas fontes antigas referem essa justificação.
  • A devoção de Gonçalo Velho a Santa Maria dos Açores, padroeira da freguesia de Açores, em Celorico da Beira, no Distrito da Guarda;
  • Provir do nome Azzurro em italiano ou Azureus em latim, que significa Azul em português, como referência ao céu azul num dia brilhante e claro quando as ilhas se veem ao longe (em [1] consideram esta a possibilidade mais forte).

Pessoalmente, considero mais plausível a segunda opção e vou explicar as razões. O que a seguir refiro é conhecido dos estudiosos, mas será importante para contextualizar o leitor.

Na verdade, na época em que as ilhas foram descobertas, a devoção a Santa Maria dos Açores era muito forte, pelo menos na Beira interior. No final desta publicação, em “Informação anexa” faço uma breve referência aos milagres que terão sido mais famosos.

Penso não existir muita informação disponível sobre este tema, mas irei mostrar um exemplo bastante elucidativo e que está consultável na internet [6] – Trata-se das "Cronicas del Rey Dom João de gloriosa memoria" (Dom João I, fundador da Dinastia de Aviz), escritas por Duarte Nunes do Leão (n.1530 - f.1608).

Se selecionarem a ligação, acedem diretamente ao conteúdo que apresento na imagem seguinte, focado no ponto que quero realçar.

Partindo_se_logo_El_Rei_da_Guarda.jpg

Qual o contexto e o que diz este relato? O reino de Portugal está a atravessar a denominada crise de 1383 – 1385. D. Fernando falecera sem deixar descendência masculina. D. João de Castela, casado com D. Beatriz, filha de D. Fernando, seria quem deteria o direito de reinar. Porém em Portugal havia grande oposição a que tal sucedesse, em particular da parte da burguesia e do povo. Pelo contrário, a maior parte da nobreza defendia a posição do rei de Castela. Em 1384, D. João de Portugal foi aclamado como regente. Este, nomeou Nuno Álvares para fronteiro do Alentejo. Tendo conhecimento destas movimentações, o rei de Castela entrou em Portugal para tentar fazer valer os seus direitos. Não traz ainda o enorme exército que um ano mais tarde batalhará em Aljubarrota, pois nesta fase pretende sobretudo reunir quem lhe fosse favorável.

É neste ponto que se situa o texto da crónica. E o que nos diz ele? Que El Rei de Castela, depois de entrar em Portugal, dirigiu-se à Guarda, fazendo depois romaria a Santa Maria dos Açores seguindo depois para Celorico…

Ou seja, o próprio Rei de Castela conhecia a devoção e atribuía-lhe tanta relevância que mesmo num contexto de tensão e crise – ou até por isso - fez questão de passar naquele local.

Penso que este exemplo é claro da importância deste culto pelo menos nesta região, chegando mesmo ao reino vizinho.

Vejamos agora o que se sabe sobre a “descoberta” das ilhas, mas sobretudo sobre o início do seu povoamento.

Existe algum debate sobre quem “descobriu” os Açores. Há os que defendem que foi Diogo de Silves. Há também quem refira Gonçalo Velho. Mas para o que pretendo salientar esse aspeto não é relevante, mas sim o seu povoamento. E sobre isso não existem dúvidas.

Em 2 de Julho de 1439, por sua lealdade e por sua reconhecida experiência no mar, o Infante Dom Henrique designou-o (Gonçalo Velho) para "povoar e lançar ovelhas nas sete ilhas" do Arquipélago dos Açores. Levou famílias do Alentejo, Estremadura e do Algarve, e gado para as ilhas de Santa Maria, estabelecendo-se na Praia do Lobo. Em 1444 inicia a colonização da Ilha de São Miguel, onde funda a vila de Povoação [9].

Ou seja, a primeira ilha a ser povoada foi Santa Maria. Apenas cerca de 5 anos depois se iniciou o povoamento de São Miguel, ainda por Gonçalo Velho. As outras ilhas naturalmente seguiram-se em datas posteriores com outros donatários.

Sucede que os pais de Gonçalo Velho eram da beira interior. A mãe, Maria Álvares Cabral (Tia bisavó de Pedro Álvares Cabral) era de Belmonte, localidade bastante próxima de Açores.

Ascendencia_Goncalo_Velho.jpg

Árvore genealógica de Gonçalo Velho [10]
Nota: Podemos também situar Fernando Álvares Cabral que foi avô de Pedro Álvares Cabral

Na figura Gonçalo Velho surge aproximadamente no centro. Como se refere também na figura, o pai era alcaide de Veleda (Não consegui situar este castelo - ver nota sobre este tema no final – informação anexa) título dado por el-rei D. Fernando. Foi-lhe também atribuído o Souto da Mercê. Sobre este último território consegui encontrar referências. Ocupava uma área bastante extensa entre a Gardunha e o vale do Zêzere, desde Alcongosta até aos limites do Castelejo, passando pelo Souto da Casa, Aldeia Nova e Aldeia de Joanes, até às povoações de Donas e Alcaide [8]. Ou seja, um território um pouco a sul de Belmonte mas muito próximo.

Não se conhece o local de nascimento, mas terá sido provavelmente nesta região. Significa isto que Gonçalo Velho não podia deixar de conhecer e valorizar este culto. Até porque temos que ter em conta um outro fator… Gonçalo Velho seguiu a via religiosa. Ficou aliás conhecido por Frei Gonçalo Velho.

Estamos finalmente no ponto em que, penso eu, sugiro uma interpretação original sobre o que terá sucedido.

E o que terá sucedido?

Gonçalo Velho denominou a primeira ilha que povoou não simplesmente de “Santa Maria”, mas de “Santa Maria dos Açores”. E assim terá sido chamada nos primeiros anos. Porém esta devoção não era conhecida de todos, mesmo em Portugal, nestes tempos em que o poder e a posse da terra seguiam ainda um modelo feudal e com ele toda uma estrutura social tendencialmente fechada nos domínios dos senhorios. Por exemplo Diogo de Silves, se como se argumenta era algarvio, poderia não a conhecer, à semelhança dos seus companheiros naturais desta região de onde muitas armadas partiram. Por maioria de razão seria desconhecida de navegadores de outras nacionalidades.

Por outro lado, como se refere por exemplo no livro Memórias para a história de Portugal [11], a ilha de Santa Maria juntamente com a de São Miguel eram, naquele tempo de rotas ditadas pelo vento, tipicamente as primeiras a avistar.

Assim, ao se dirigirem para esta ilha recém-povoada, ou mesmo passando ao largo, ouvindo nomear “Santa Maria dos Açores”, terão associado o termo “dos” à comum ideia de pertença. Ou seja, o nome da ilha para esses primeiros visitantes seria simplesmente “Santa Maria” a qual pertencia aos “Açores” que neste contexto só poderia ser o nome do arquipélago.

O nome era simples e foi rapidamente partilhado. Serviu os propósitos da comunicação entre as gentes e foi quanto bastou. Usando uma expressão popular “pegou de estaca”.

Esta hipótese tem uma curiosidade…

Tendo ficado a ilha Terceira com o nome da “antiga família”, a ilha de Santa Maria seria a “ilha madrinha” das suas irmãs no que se refere a lhes ter dado o nome da “ nova família”…

 

Se me permitem terminar em jeito de romance, imaginem então o dedilhar de um alaúde e uma toada como na “Nau Catrineta”…

Era uma vez nove irmãs, filhas da Terra e do Mar.
Da família das “Terceiras”, esse nome partilhavam.
Gonçalo Velho chegou, para duas povoar,
E
 novos nomes lhes deu, melhor assim as chamavam.

Santa Maria dos Açores, chamou à ilha primeira,
Pela devoção que tinha, à sua Senhora da Beira
Os marinheiros de longe, tendo nela aportado
Pensaram “Açores” ser, o arquipélago chamado!

----- <> -----

 

 

Referências

[1] Wikipedia – História dos Açores

[2] Wikipedia – History of the Azores

[3] Wikipedia – A ilha Terceira

[4] Atlas moderno para uso da mocidade – Typographia Rollandiana – Lisboa 1812

[5] Wikipedia – Açores / Celorico / Guarda

[6] Cronicas del Rey Dom João de gloriosa memoria o I deste nome… – Duarte Nunes de Leão – Lisboa 1780

[7] Celorico da Beira através da História – Margarida Sobral Neto

[8] O culto a S. Brás e a Misericórdia do Fundão. Devoção, memória e patrimonialização – Pedro Miguel Salvado e Joana Bizarro – Revista online do Museu de Lanifícios da Beira Interior

[9] Sítio da internet – Genearc – Página sobre Fernão Velho

[10] Concelho de Belmonte Memória e História – Manuel Marques – Edição da Câmara Municipal de Belmonte - 2001

[11] Memórias para a história de Portugal que compreendem o governo del rei D. João o I – José Soares da Silva - 1730

[12] Portugal antigo e moderno – Volume segundo – partes 3 e 4 Padre João Batista de Castro – 1763 (página 238)

[13] Corografia portugueza e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal – Tomo terceiro – Padre António Carvalho da Costa – 1708 (Páginas 365 e 366)

[14] - Quarta parte da monarquia lusitana – Frei António Brandão – 1632

(El rei D. Sancho primeiro) - Páginas – 6 (verso), 7 (frente e verso), 8 (frente)

[15] Mapa de Lázaro Luís – 1563 – Academia das Ciências

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INFORMAÇÃO ANEXA

Notas sobre o castelo de que Fernão Velho foi alcaide

Fernão Velho, pai de Gonçalo Velho, foi nomeado por D. Fernando alcaide de um castelo. Sucede que, não tendo eu acesso à fonte original, encontrei referências diferentes, como a seguir exponho.

Como se mostrou na árvore de família de Gonçalo Velho, Manuel Marques refere Veleda como o nome do castelo.

Numa outra página de genealogia (ver ligação)surge também como senhor de Veleda.

Encontrei porém uma outra página com outra denominação que me pareceu bem sustentada. Trata-se de um repositório académico, refere a data (1/5/1370) e o lugar (Pontevel) onde foi assinado e onde se encontra o original.

Doação do Castelo de Aveleda a Fernão Velho

Refere o castelo como sendo de Aveleda.

De acordo com os registos de códigos postais temos terras com este nome nos concelhos de Braga, Bragança, Chaves, Cinfães, Lousada, Paredes de Coura, Valpaços, Vila Verde e Vila do Conde.

Mas nenhuma com castelo.

Nesta outra página da Enciclopédia Açoriana referem que o castelo era da Valada…

Depois de alguma pesquisa, encontrei uma referência ao castelo de Santarém como tendo essa denominação (Valada).

Porém fiquei na dúvida, pois parecer-me-ia mais natural que no documento de nomeação fosse identificado pela cidade e não por uma denominação aparentemente local. Além de que no levantamento de alcaides de Santarém não surge Fernão Velho.

Alcaides de Santarém – Wikipedia

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Lendas em torno dos milagres de Santa Maria dos Açores [7] (páginas 105 e 106)

(transcrição do documento referido)

O brasão do concelho de Celorico ostenta como elementos simbólicos um castelo, uma águia com um peixe nas garras, cinco estrelas e uma figura representativa da lua.

Segundo informação dos priores das três freguesias urbanas de Celorico, apresentada nas Memórias. paroquiais de 1758, a figuração referida fazia parte da bandeira da câmara, sendo interpretada da seguinte forma: a águia e a truta reportavam-se a uma estratégia utilizada pelo Alcaide-mor de Celorico para induzir o conde de Bolonha a levantar o cerco ao castelo. Por sua vez, as estrelas e a lua evocariam o milagre ocorrido durante uma batalha (travada num campo próximo de Trancoso) contra um rei de Leão, segundo o qual a lua "parara” até ao desfecho vitorioso das tropas portuguesas. Este milagre foi atribuído a Nossa Senhora dos Açores. Em reconhecimento deste prodígio dos céus, as câmaras da cidade de Guarda e das vilas de Trancoso, Linhares, Algodres e Mesquitela deslocavam-se, todos os anos, em romagem à ermida da milagrosa senhora, em dias diferentes, entre a primeira oitava da Páscoa e o domingo da Santíssima Trindade (Rodrigues, 1992: 139). Esta tradição é referida em vários documentos da época moderna, nomeadamente no foral manuelino de Celorico, no capítulo em que se destina uma parte das receitas do montado aos cavaleiros que participassem no cortejo que anualmente se dirigia a Santa Maria dos Açores, acompanhando, a cavalo, a bandeira do concelho.

Santa Maria dos Açores era uma criatura divina a quem se atribuíam três grandes milagres. O primeiro remonta ao momento do encontro da imagem da Senhora, ocorrido após a mãe de Deus ter salvo do afogamento um pastor e uma vaca que tinham caído numa lagoa; o segundo, manifestou-se através da devolução da vida, e de um corpo são, a um filho de uma rainha, vinda de longe em busca de cura para as deformidades físicas e que entretanto falecera; finalmente, o terceiro realizara-se no mesmo contexto do segundo, no momento em que o rei se preparava para cortar a mão de um dos seus criados que, inadvertidamente, deixara fugir um Açor; por intercessão divina a ave interpusera-se entre a lâmina cortante e o vassalo salvando-lhe a vida.

Celorico da Beira e Linhares - Adriano Vasco Rodrigues - 1992

 

Nota pessoal

Este texto sintetiza as lendas e os milagres desta devoção. Mas se o leitor tem curiosidade em conhecer textos antigos em que o mesmo tema é descrito, sugiro que aceda às ligações das referências [11], [12], [13] e [14], em particular a esta última, mais antiga e mais longa.

Apresento aqui apenas o texto da referência [13] para ilustrar a forma antiga de relatar este tipo de veneração.

Corografia_Portuguesa_1708_1.jpg

Corografia_Portuguesa_1708_2.jpg

Corografia_Portuguesa_1708_3.jpg

 

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Breves referências à localidade dos Açores

Não era minha ideia inicial fazer referência específica a esta localidade, pois presumi que estivesse razoavelmente divulgada. Sendo uma terra muito antiga (uma lápide na igreja remete para a época visigótica) com uma devoção que foi relevante na nossa História, para não falar da possibilidade de ter sido a inspiradora do nome do arquipélago dos Açores, havia razões de sobra para que houvesse bastante informação e imagens na internet.

Pode ter sido minha falha, mas para lá de um breve artigo na Wikipedia, apenas encontrei algumas descrições das lendas. Imagens do interior da igreja não encontrei.

Julgo que esta localidade merece mais reconhecimento e visibilidade, em particular a igreja.

Apesar de se perceber que passou por inúmeras "obras" desde a sua construção original que terá sido gótica, ainda tem motivos de interesse. Por exemplo a imagem de Santa Maria dos Açores com um dessas aves aos pés, os quadros descrevendo os milagres e a epígrafe visigótica.

Não tendo encontrado imagens melhores, aqui mostro algumas fotos que tirei há cerca de seis anos, apesar da fraca qualidade pois foram tiradas sem "flash" por um telemóvel com baixa sensibilidade à luz.

Nota: A sua localização, mesmo sem utilizar GPS é bastante fácil. Se por exemplo estiver a percorrer a A25, no sentido Aveiro => Guarda, já relativamente perto da Guarda, mas ainda sem iniciar a subida da serra, passa por Celorico da Beira à sua esquerda. Fique então atento, pois cerca de 7 Kilómetros depois terá a saída para a aldeia dos Açores, a qual está logo ali muito perto. Boa viagem. Boa visita.

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